Capacidade evita cruzamentos consanguíneos, dizem pesquisadores que estudaram comportamento das aves em cativeiro

Grupos de pinguins na Antártida: olfato é usado na identificação de membros da colônia
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Grupos de pinguins na Antártida: olfato é usado na identificação de membros da colônia
Os pinguins identificam seus "cônjuges" pelo odor, que os ajuda a se reencontrarem em colônias lotadas, e também podem identificar o cheiro de um parente próximo para evitar cruzamentos, disseram cientistas nesta quarta-feira.

Já se sabia que algumas aves marinhas usam o olfato para localizar comida ou identificar locais para ninhos, mas as experiências com pinguins de Humboldt em cativeiro, no Zoológico de Brookfield, perto de Chicago, provaram pela primeira vez que as aves usam o cheiro para diferenciar parentes próximos de estranhos.

"Outros animais fazem isso, nós fazemos isso, então por que não as aves?", disse Jill Mateo, biopsicóloga da Universidade de Chicago, que trabalhou com o pós-graduando Heather Coffin no trabalho, publicado na revista PLoS ONE.

"O olfato deles pode ajudá-los a encontrar seus parceiros e talvez escolher seus parceiros", disse Mateo. "Aves navegantes que viajam longas distâncias no oceano usam os odores para encontrar comida e... reconhecer ninhos, mas não sabíamos quais odores ou até que ponto eles podiam usar os odores para reconhecer parentes."

Os pesquisadores trabalharam com 22 pinguins de Humboldt, uma espécie ameaçada, divididos em dois grupos. O comportamento deles foi registrado enquanto as aves examinavam os aromas emitidos pelo óleo das glândulas de limpeza dos animais. A glândula perto do rabo secreta um óleo que os pinguins usam para se manterem limpos, mas que também tem uma finalidade olfativa.

Numa das experiências, os pinguins demonstravam se sentir mais confortáveis com o aroma dos parceiros do que com o de pinguins estranhos. Em outra, pinguins "solteiros" passavam o dobro do tempo examinando o cheiro de pinguins estranhos do que o cheiro de parentes próximos.

"Em todos os tipos de animais que estudamos, inclusive em bebês humanos, odores novos, pistas novas, são investigados menos do que pistas não tão novas", disse Mateo.

O olfato é usado por muitas espécies para atrair parceiros ou para evitar o cruzamento com parentes, segundo ela.

No caso dos pinguins de Humboldt, que procriam em penhascos do Peru e passam longos períodos se alimentando no mar, o odor serve como identificador quando eles regressam a colônias povoadas por milhares de aves que fazem ninhos em fendas.

"É importante para aves que vivem em grandes grupos na natureza, como os pinguins, saberem quem são seus vizinhos, para que eles possam encontrar suas áreas de nidação e também, por meio da experiência, saberem como conviverem com as aves próximas", disse o especialista em comportamento animal Jason Watters, da Sociedade Zoológica de Chicago, que administra o Zoológico de Brookfield.

A descoberta, segundo ele, pode ser útil para biólogos que tentam reintroduzir animais em seu habitat. "Seria possível tratar a área com um odor que seja familiar às aves. Isso as tornaria mais propensas a permanecerem."

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