Padrão de movimento dos filamentos é igual ao da "ola" em estádios. Estudo pode criar materiais capazes de transportar fluidos

Pesquisadores reproduziram o movimento sincronizado dos s filamentos celulares
Science/AAAS
Pesquisadores reproduziram o movimento sincronizado dos s filamentos celulares
Pesquisadores dos Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (21) finalmente ter reproduzido um padrão de movimento dos filamentos celulares, conhecidos como cílios. E pasme, ele é o mesmo das grandes "olas" feitas por torcedores em estádios de futebol.

Para entender como estes movimentos ocorrem, pesquisadores grudaram proteínas capazes de se movimentar usando filamentos (chamados microtúbulos) como trilhos e descobriram que eles simplesmente se auto-organizam e começam a realizar movimentos similares aos dos cílios. Mais ainda: ao juntar mais microtúbulos e proteínas motoras ao sistema todo eles começam a se movimentar de forma sincronizada da mesma forma que um grupo de cílios trabalhando em conjunto– um movimento similar às “olas”.

A diferença é que o sistema descrito no periódico científico Science tinha muito menos elementos do que um sistema biológico real. “Ficamos muito surpresos ao observar movimentos espontâneos em nosso sistema. Cílios e flagelos biológicos que têm este mesmo comportamento possuem mais de 600 peças encaixadas com precisão e regularidade ímpares. O fato de sermos capazes de observar um fenômeno similar com apenas quatro peças foi certamente surpreendente. Por outro lado trabalhos teóricos anteriores já previam resultados similares ao que observamos logo não foi completamente inesperado.

De qualquer forma é importante enfatizar que experimentos são sempre difíceis de realizar e dão errado em 90% dos casos. Por isso toda vez que obtemos resultados é uma surpresa agradável”, explicou ao iG Zvonimir Dogic, da Universidade de Brandeis, nos Estados Unidos, um dos autores do artigo.

O movimento sincronizado da estrutura criada pelos pesquisadores é, porém, ainda bem menor do que de um sistema biológico real. “Queremos determinar quais componentes podem ser usados para aumentar a velocidade do batimento das estruturas que criamos artificialmente”, afirma Dogic.

Este tipo de trabalho, segundo os pesquisadores, pode ainda permitir que se construa no futuro materiais capazes de se movimentar e transportar fluidos.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.