Pesquisadores fazem robô controlar braço humano

Estudo de brasileiros e franceses mostra que controle de movimentos pode partir de um circuito e não de neurônios

AE |

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Em um experimento inédito, pesquisadores brasileiros e franceses mostraram que um robô pode controlar diretamente os movimentos de um braço humano, coordenando a execução de tarefas simples.

No estudo, o robô segurava uma pequena cesta e, por meio de estímulos elétricos, controlava o braço de um voluntário, que tinha uma bola na mão. O objetivo era fazer com que o voluntário, de olhos vendados, acertasse a cesta. Ser humano e máquina deveriam, portanto, atuar juntos, mas o controle caberia aos circuitos e não aos neurônios.

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O experimento deu certo e os resultados foram apresentados em setembro na Conferência do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos sobre Robôs e Sistemas Inteligentes (IEEE-Iros, na sigla em inglês), em São Francisco (EUA).

Ao lado do francês Philippe Fraisse, dois brasileiros coordenaram o estudo, realizado no Laboratório de Informática, Robótica e Microeletrônica da Universidade Montpellier 2, na França.

Hoje, Antonio Padilha Lanari Bó realiza pesquisas em robótica na Universidade de Brasília. Ele explica que o experimento poderá ter aplicações clínicas, especialmente no auxílio a pessoas com paralisia ou doenças neurodegenerativas com impacto na coordenação motora.

"Sistemas robóticos podem oferecer uma grande ajuda na realização de tarefas básicas", aponta Padilha. "E, se fizerem isso contando com os movimentos que o paciente consegue realizar, podem contribuir para a reabilitação."

A técnica funciona em pessoas com lesões na medula espinhal, pois o estímulo age diretamente sobre músculos, sem a participação dos nervos.

Na realidade, a estimulação elétrica funcional (EEF) já é utilizada na reabilitação de pessoas com paralisia nos membros: os impulsos fazem com que músculos contraiam ou distendam, impedindo a atrofia das fibras. Contudo, o uso da EEF para coordenar movimentos e realizar tarefas concretas constitui uma abordagem pouco comum.

"E nosso trabalho é o primeiro a conjugar a EEF com a ação e o controle de um robô", afirma Bruno Vilhena Adorno, que tornou-se professor na Universidade Federal de Minas Gerais.

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