Pesquisadores descobrem proteína que consolida memória

Injeção de proteína IGF-II no hipocampo aumentou a retenção de memória e diminuiu o esquecimento

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Pesquisadores da Escola de Medicina Monte Sinai, em Nova York, descobriram uma proteina que quando administrada no cérebro (mais especificamente no hipocampo), aumenta significativamente a retenção de memória e previne o esquecimento. O estudo foi feito em ratos que receberam injeções da proteína hormonal IGF-II, responsável pelo crescimento durante a gestação.

O estudo provou também que é preciso apuro e senso de oportunidade na administração da proteína, pois existe o momento exato para a injeção. “O efeito de aumento da memória só acontece se administrarmos o IGF-II durante o período que chamamos de memória “ativa", logo após a aprendizagem ou após a memória ser recuperada”, disse ao iG Cristina Alberini, que liderou o estudo publicado na edição desta semana do periódico científico Nature.

O estudo foi feito em ratos, mas os pesquisadores já pensam em alternativas para a aplicação da proteína em humanos, como injeções endovenosas ou administração da proteína pelo nariz. “Até porque uma das características do IGF-II é que ele atravessa a barreira de sangue do cérebro. A administração sistêmica (por exemplo, intravenosa) da proteina poderia fazer o IGF-II chegar ao cérebro”, disse Cristina.

O grupo de pesquisadores vem estudando as mudanças biológicas após o aprendizado e o que é necessário para a formação da memória de longo prazo no hipocampo, região do cérebro importante para a formação da memória de longo prazo. Eles observaram que os níveis de IGF-II são regulados no hipocampo pelo aprendizado.

O estudo aponta que outra vantagem da aplicação desta proteína é que ele é produzido naturalmente pelo corpo. “Por isto não acreditamos que ocorra problemas como rejeição ou toxidade com o IGF-II”, disse. Os pesquisadores também constataram mesmo uma dose única, administrada após um evento específico, reforça a memória deste. “Isto representa uma maneira mais simples e fácil de seguir o tratamento e que também minimiza possíveis efeitos colaterais”, disse.

Cristina explica que cada vez que algo é aprendido, a memória permanece frágil e delicada para interrupções por um momento. Ao longo do tempo ela se torna mais forte e resistente à ruptura. “Este processo é chamado de consolidação da memória, que depende da síntese de novas proteínas. Em nosso laboratório estamos interessados em identificar quais são as proteínas essenciais para a formação da memória de longo prazo”.

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