Pesquisadores descobrem enzima que intensifica a memória

Excesso da enzima aumentou a memória de longo prazo em ratos mesmo quando administrada muito tempo após memória ter sido formada

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Pesquisadores descobriram uma maneira de intensificar a memória de longo prazo, a recordação de eventos que aconteceram há muito tempo. Cientistas de Israel e dos Estados Unidos aumentaram os níveis de uma enzima, chamada PKMζ, no cérebro de ratos e perceberam que ela pode reforçar mais de uma memória por vez e melhorar inclusive lembranças estabelecidas meses antes do experimento. A descoberta pode ser aplicada em novos estudos sobre memória em pacientes com mal de Alzheimer.

Os pesquisadores obtiveram maiores níveis da enzima no neocortex de ratos a partir da administração do vírus de longos períodos de incubação, os lentivírus. A virose atacou o cérebro dos ratos, sem causar doenças e fez com que o cérebro reagisse, produzindo excesso da enzima. A PKMζ é produzida no cérebro do animal naturalmente quando ele aprende, ela está presente em todos os animais vertebrados.

De acordo com Todd Sacktor, um dos autores do estudo que será publicado nesta semana no periódico científico Science, ainda é preciso descobrir a melhor maneira de aumentar os níveis de proteínas em regiões específicas do cérebro. “Nós não achamos que os vírus que infectam o cérebro deva ser usado em humanos, pelo menos não na sua forma, mas em drogas que aumentem o nível de PKMζ”, disse.

Mas para criar tal droga, os pesquisadores ainda precisam aprofundar os conhecimentos sobre a formação da enzima no cérebro, “Quando compreendemos melhor como ela se forma, seja naturalmente no cérebro, ou por meio da virose, estaremos aptos a criar uma droga que aumente a formação natural do PKMζ em humanos”, disse.

Sacktor e sua equipe estudam a enzima há alguns anos. Eles mostraram em 2007 que a diminuição de PKMζ apaga a memória de longo prazo no neocórtex cerebral. A partir desta descoberta, ele e sua equipe começaram a fazer testes para descobrir se o contrário também poderia acontecer. De fato, altos níveis de PKMζ aumentam a quantidade de neurotransmissores nas sinapses (a ligação entre os neurônios no cérebro), o que aumenta também a força das conexões entre grupos de neurônios.

Mas as descobertas não param por aí. O estudo da formação da enzima pode abrir muitos caminhos para a compreensão da memória. Isto porque o PKMζ é a única molécula que, de acordo com os pesquisadores, aumenta a memória mesmo quando ela está em processo de armazenamento, dias após a aprendizagem. “Isto significa que PKMζ pode ser um componente do mecanismo de armazenamento de memória”, disse.

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