Pesquisadores criam neurônios com Alzheimer a partir de células-tronco

Novo método permite o estudo da causa da doença e o desenvolvimento de novas drogas

Alessandro Greco, especial para o iG |

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Neurônios desenvolvidos em laboratório vão ajudar cientistas a compreender causa mal de Alzheimer
Cientistas conseguiram, pela primeira vez, criar neurônios com Alzheimer a partir de células-tronco pluripotentes de pacientes com a doença. O mal de Alzheimer atinge milhões de pessoas em todo o mundo e atualmente é incurável. Uma das dificuldades em criar um tratamento para o Alzheimer é o fato de os cientistas ainda desconhecerem seu mecanismo de funcionamento. Os novos modelos  vão permitir o estudo da causa da doença.

Em estudo publicado nesta quarta-feira (25) no periódico científico Nature, pesquisadores pegaram células da pele de quatro pessoas com Alzheimer (duas com histórico familiar e duas sem) e de outras duas pessoas sem a doença. A equipe liderada por Lawrence Goldstein, da Universidade da Califórnia em San Diego, Estados Unidos, reprogramou, então, a célula-tronco pluripotente - capaz de se converter em qualquer outro tipo de célula do corpo – e a transformaram em neurônios.

A hipótese vigente para a causa do mal de Alzheimer é que o acúmulo da proteína beta-amilóide no espaço existente entre os neurônios e a criação de emaranhados formados por uma proteína (tau) no interior dos neurônios sejam os responsáveis pela. Há, no entanto, uma grande dificuldade em testar o conceito, pois há uma baixa disponibilidade de neurônios vivos de pacientes. Para contornar este problema, cientistas criaram neurônios em laboratório a partir de células-tronco pluripotentes induzidas (iPS).

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O resultado surpreendeu os pesquisadores que encontraram alterações específicas nos neurônios de laboratório. “A habilidade de detectar mudanças bioquímicas após um pequeno período de tempo em uma doença que demora décadas para se manifestar foi uma grata surpresa, pois abre uma porta para aprendermos mais sobre o que está errado com os neurônios na doença de Alzheimer”, disse ao iG Goldstein.

Com o estudo, os pesquisadores também puderam fazer observações sobre os possíveis mecanismos do Alzheimer. “Especificamente há uma série de alterações bioquímicas que ocorrem nas células do cérebro humano que são importantes na doença. Há um debate sobre se um fragmento específico da beta-amilóide é a única responsável pelas mudanças que vemos no Alzheimer. Nosso estudo traz evidências de que o responsável não é o fragmento, mas um precursor da beta-amilóide que leva a mudanças anormais nos neurônios”, disse, Goldstein.

O método desenvolvido pelos pesquisadores poderá, no futuro, ter diversas utilidades. “Minha opinião é que o uso de nossas células e métodos para testar medicamentos será um passo importante para desenvolver terapias efetivas para a doença de Alzheimer. É possível também que nossos métodos ajudem a desenvolver técnicas para o diagnóstico que possam prever a doença e melhorar testes clínicos ao incluir pacientes que tenham maior probabilidade de responder a certos tipos de medicamentos”, afirmou Goldstein.

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