Pesquisadora quer opinar sobre nova base na Antártida

Lucélia Donatti, da Universidade Federal do Paraná, pediu que governo ouça pesquisadores do programa antártico sobre reconstrução

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Cientistas que estavam na estação contam que os dois sargentos não conseguiram sair do local
A coordenadora do programa de pós-graduação em Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Lucélia Donatti, pediu hoje que o governo brasileiro ouça os pesquisadores do programa antártico, caso leve adiante a intenção de reconstruir a Estação Antártica Brasileira Comandante Ferraz, consumida por incêndio na madrugada de sábado. Ela é a orientadora da equipe paranaense, formada por cinco pesquisadoras, que estava na estação. A UFPR participa do programa desde 1984.

"O tempo de reconstrução não importa muito, depende mais de vontade política e de aporte financeiro", disse Lucélia, que já esteve várias vezes no continente antártico. "A comunidade científica tem que ser ouvida, pois precisamos de uma estação com características de competitividade". O maior lamento da pesquisadora, que acompanha o programa antártico desde 1996, vai para as perdas nas pesquisas da alteração climática sobre os peixes. "Dentro do trabalho, o pesquisador sabe que vai impactar de certa forma o meio ambiente, e esse material que foi retirado se perdeu sem sentido algum", disse.

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A doutoranda em Biologia Celular e Molecular, Cintia Machado, que estava na estação no momento do acidente, afirmou que, em janeiro, logo que chegou ficou sabendo do afundamento de uma chata com 10 mil litros de óleo combustível, ocorrido em dezembro. "Estava sendo monitorado pela Marinha", salientou. "Eles estudavam como iriam tirá-la de lá." Ela também afirmou que, tão logo chegaram, participaram de uma palestra sobre como agir em incêndio ou outra adversidade. "Estamos bem porque há esse treinamento", explicou.

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