Pesquisa mostra que largura do planeta está estável

Cientistas descobriram que derretimento de gelo da Groenlândia e Antártida é o responsável pelo fenômeno

National Geographic |

Nasa
Terra, em foto de 1972 feita por astronautas da Nasa: saliências perto da "cintura" do Equador
A Terra não está perdendo suas "gordurinhas", diminuindo a circunferência ao redor do Equador, tão rápido quando o previsto, de acordo com um novo estudo. 

O fato nada tem a ver com uma suposta falta de água, como seria de se supor. Na verdade, toneladas de gelo derretido da Antártida e da Groelândia têm abastecido os oceanos, que levam o excesso de líquido para o Equador, contrabalançando uma tendência milenar de aumento da circunferência terrestre, afirmam os especialistas.

Pesquisadores sabem há muito tempo que a Terra não é uma esfera perfeita . Forças de rotação fizeram com que o planeta desenvolvesse uma saliência na cintura: uma pessoa parada no Pólo Norte, por exemplo, está cerca de 21 quilômetros mais perto do centro da Terra que uma alguém no Equador.

Mas agora está diferença está encolhendo. Desde que cientistas começaram e medir a saliência do Equador, ela tem se retraído a uma taxa de sete milímetros por década. O fenômeno é fruto de uma longa recuperação da Era do Gelo, que durou aproximadamente 2,6 milhões de anos e acabou há 11.700 anos. “Todo aquele gelo está parado ali, e está parado há dezenas de milhares de anos”, disse o co-autor do estudo John Wahr, geofísico da Universidade do Colorado. O peso extra da Era do Gelo até esmagou o manto maleável da Terra para fora, e mais tarde aumentou a saliência do planeta. Uma vez que o gelo da Era do Gelo derreteu, porém, os pólos começaram a ter a primavera de volta lentamente, e eles tem passado por isso desde então. Mas agora “há algo novo acontecendo (o encolhimento da saliência)”, disse Wahr.

Direto para a cintura
No começo dos anos 1990, a recuperação pós-Era do Gelo, começou a diminuir e agora aparentemente cessou, de acordo com o novo estudo, que conta com dados dos satélites Gravity Recovery and Climate Experiment (GRACE). Eles realizaram leituras ultra-precisas do campo gravitacional da Terra, permitindo aos pesquisadores medir as mudanças na massa do gelo e a quantidade de água nos oceanos. O culpado? “Parece que a Groenlândia e a Antártida estão perdendo massa”, afirmou Wahr. De acordo com ele com seu parceiro Steve Nerem, as duas regiões juntas estão perdendo 382 bilhões de toneladas de gelo por ano. Segundo a dupla a perda está causando um crescimento na cintura daTerra de cerca de sete milímetros por década. Valor suficiente para, ao menos temporariamente, neutralizar recuperação de longo prazo.

O estudo descrevendo a mudança na saliência da Terra está programado para aparecer na próxima edição do periódico científico Geophysical Research Letters.

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