Percevejos rastejam, mordem e surpreendem os cientistas

Inseto que infestou cidades americanas é pouco pesquisado

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Entomologista da Universidade de Minnesota segura um percevejo: cientistas tentam entender porque o inseto voltou a infestar as cidades
Não se apresse em julgar o percevejo comum como apenas um inseto de seis patas sugador de sangue.

Pense neles, na verdade, como Cimex lectularius , o artrópode internacional do mistério.

Em comparação com outros insetos que picam o homem, ou mesmo aqueles que caminham sobre seus alimentos, mordiscam suas plantações ou animais de criação, muito pouco se sabe sobre a criatura cujo nome latino significa – vá entender – “inseto da cama”.

Apenas um punhado de entomologistas se especializa neles e, até recentemente, têm sido um assunto sem espaço na agenda de pesquisa do governo, porque não transmitem doenças.

A maioria das bolsas de pesquisa vem da indústria de pesticidas e faz apenas uma pergunta: Como matá-los?

Mas agora que este é o inseto que comeu Nova York, para não mencionar outras cidades americanas em choque, isso pode mudar.

Este mês, a Agência de Proteção Ambiental e os Centros para Controle e Prevenção de Doenças emitiram uma declaração conjunta sobre o controle de percevejos. No entanto, não foi uma declaração de guerra, nem um plano de ação.

Essa medida foi um reconhecimento de que o problema é grande, um lembrete de que as agências federais geralmente dão conselhos e mais um conselho: tente uma mistura de aspiração, vedação, calor e produtos químicos para matar essas coisas.

Observou também, duas vezes, que a pesquisa sobre os percevejos “foi muito limitada nas décadas passadas”.

Pergunte a qualquer especialista por que os percevejos desapareceram há 40 anos, por que eles voltaram com força total na década de 1990, ou até mesmo por que não transmitem doenças, e você ouve uma única resposta: “Boa pergunta”.

Os percevejos, provavelmente, morderam os nossos antepassados desde que mudaram das árvores para as cavernas.

Eles são “parasitas de ninho” que se alimentavam de morcegos e aves de cavernas como as andorinhas antes do homem aparecer.

Isso faz do fato de não disseminarem doença algo ainda mais desconcertante.

Por que os insetos desapareceram por tanto tempo e se espalharam tão rapidamente depois que reapareceram é outra questão. A resposta convencional – que o DDT foi banido – é insuficiente. Afinal, mosquitos, baratas e outros insetos se recuperaram há muito tempo.

Uma teoria é que a quantidade de percevejos domésticos aumentou depois que as empresas de controle de baratas interromperam a pulverização na década de 1980 e passaram a usar iscas envenenadas, que os percevejos que não comem.

Mas a teoria que prevalece é que os novos percevejos vieram do exterior, porque aqueles encontrados agora nas cidades são resistentes a diferentes inseticidas, como os usados em aves ou em baratas.

Exatamente de onde eles vieram é um mistério. Seja qual for a fonte, seu futuro é sombrio, concordam os especialistas.

Muitos pesticidas não funcionam, e os que funcionam estão proibidos – mas se as pessoas devem temer mais o inseto ou o inseticida ainda não se sabe.

“Eu gostaria de pegar alguns destes grupos e prendê-los em um prédio cheio de insetos e ver o que eles dizem então”, disse o historiador de percevejos Michael F. Potter, da Universidade de Kentucky, sobre os ambientalistas.

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