Pequeno primata é capaz de emitir berro ultrassônico

Estudo usou equipamentos modernos para captar e reproduzir som inaudível para humanos

iG São Paulo |

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O pequeno társio, de apenas 13 cm, é capaz de se comunicar por ultrassom como os golfinhos
Pesquisadores descobriram que um pequeno primata, que mede apenas 13 centímetros de altura, é capaz de emitir berros ultrassônicos, imperceptível para humanos. Nathaniel Dominy, professor associado de antropologia de Dartmouth, descreve que a vocalização ultrassônica dos társios, pequenos primatas do sudeste asiático, é comparável à alta especialização da vocalização de morcegos e golfinhos, que são usadas principalmente como sonar.

Társios são primatas que deram origem aos macacos e símios hácerca de 60 milhões de anos, e nos últimos 45 milhões de anos eles pouco mudaram. Porém, embora, os társios sejam importantes como fósseis vivos, eles são muito difíceis de serem estudados na natureza. Com apenas 13 centímetros de altura, eles têm hábitos noturnos e se alimenta quase que exclusivamente de insetos, lagartos e cobras.

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Dominy e colegas têm estudado o som e as vocalizações de uma espécie de társios das Filipinas, o Tarsius syrichta . De acordo com os pesquisadores, algumas espécies de társio são vistas como muito barulhentas, com uma série de berros audíveis para humanos e capazes de “transmitir alarmes, intimidar rivais e facilitar interações sociais”. Outras espécies de társios de Bornéu e das Filipinas, no entanto, foram sempre descritos como silenciosos. Esta aparente falta de vocalização fez com que os pesquisadores suspeitassem que os animais estivessem se comunicando de um modo inaudível para humanos.

Comunicação exclusiva
Novas técnicas avançadas permitiram que os investigadores pudessem testar a audição de társios selvagens na ilha de Mindanao. Eles encontraram “uma nota audível que se estendia substancialmente para o ultrassom”, alcançando mais de 91 kHZ “um valor que ultrapassa o alcance conhecido de outros primatas e é acompanhada por poucos animais”.

Eles também usaram um microfone e unidade de gravação capazes de registrar sons até 96 kHz. O limite superior da audição humana é geralmente fixado em 20 kHz, e as frequências acima deste limite são classificados como ultrassons. No estudo de campo, a equipe gravou os sons de 35 társios selvagens das ilhas de Bohol e Leyte com este equipamento, documentando oito indivíduos, que emitiram berros de cerca de 70 kHz.

Os pesquisadores observaram que társios emitidam berros ultrassônicos principalmente quando os seres humanos estavam perto, sugerindo uma expressão de alarme. "Chamadas de alarme de ultrassom pode ser vantajoso tanto para o sinalizador equanto para o receptor, já que é difícil para os predadores detectarem", escreveram os pesquisadores em estudo.

"Nossas descobertas não só verificaramque os társios são sensíveis ao ultrassom, como também que Tarsius syrichta pode enviar e receber sinais vocais no ultrassom ", disse Dominy.

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