Pássaro pré-histórico de bico gigante ¿boxeava¿ vítimas

Ave carnívora usava tática de ataque e recuo, como Muhammad Ali, para atacar suas presas

iG São Paulo |

AP
Crânio do fóssil do Andalgalornis em comparação com um humano e o de uma águia.
Há 6 milhões de anos, viveu no noroeste da Argentina uma ave de 40 quilos e 1,2 metro de altura que usava seu bico gigante para atacar as vítimas de um modo muito parecido com lutadores de boxe como Muhammad Ali, com repetidas estocadas e recuos, diz um estudo publicado no periódico científico PLOS One.

As táticas de ataque do , do grupo de pássaros carnívoros conhecidos como “aves do terror”, eram ditadas parcialmente pelo seu tamanho e composição física, que fazia a caça de outra maneira muito difícil e possivelmente fatal.

“Eles não podiam ficar chacoalhando sua presa. Eles tinham que se afastar e dançar em volta delas, e dar estocadas usando o bico como um machado,” disse Lawrence Witmer, da Universidade de Ohio.

A sua estrutura craniana “dirigia seu estilo de caça: estratégia de ataque e recuo, tentando matar o animal e depois engoli-lo inteiro, se pudesse. Ou usar o bico e seus músculos do pescoço para arrancar pedaços da carne,” disse, em uma entrevista à AP. Veja no vídeo abaixo:

“Aves normalmente têm crânios com bastante mobilidade entre os ossos, o que os permite serem leves porém fortes. Mas o Andalgalornis tinha essas juntas bem rígidas. Ele tinha um crânio bem forte para atacar de frente, mesmo que seu bico fosse oco.

Marcos Cenizo/Museo de La Plata
A imagem ilustra como seria o ataque de um Andalgalornis
Isso fazia com que ele fosse bem adaptado para o ataque e recuo, mas ele estaria em apuros se tivesse que chacoalhar uma presa lateralmente. Tanto o crânio quanto o bico seriam danificados.

E enquanto sua mordida não seria tão perigosa quanto a de um mamífero do mesmo tamanho, ele poderia compensar usando o bico como um machado, de acordo com a pesquisa liderada por Witmer e Federico J. Derange do Museo de La Plata, na Argentina.

Os pesquisadores foram surpreendidos pelo resultado do estudo. Sua lógica era “esses carinhas eram durões, mas também tinham que ser cuidadosos,” afirma Witmer. “Ser predador é um negócio perigoso. Uma presa vai tentar brigar para fugir.” A pesquisa analisou a anatomia e usou tomografias computadorizadas para analisar comportamentos potenciais, e em ambos os casos as conclusões foram semelhantes.

(Com informações da AP)

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