Para Helena Nader, reunião da SBPC tem caráter cada vez mais político

Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência afirma é preciso mostrar para gestores que ciência e educação são fundamentais caso País queira ter inovação

Maria Fernanda Ziegler, enviada a Goiânia |

Para a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader, a reunião anual da entidade além de levar conhecimento científico ao público, esta tendo efeito político. “Conseguimos com isto chegar àqueles que são gestores para que olhem ciência, tecnologia e educação como algo necessário para um País que quer ser inovador”, disse.

Maria Fernanda Ziegler de Castro
Para presidente da SBPC, reunião anual da entidade está tendo efeito político
A 63 ª reunião da SBPC aconteceu nesta semana em Goiânia e abordou temas ligados ao desenvolvimento do País, como o Código Florestal , patentes, preservação do Cerrado, a entrada do Brasil no ESO , além da vinculação de recursos do Pré-sal à ciência, tecnologia e educaçã o .

Logo na abertura do evento, Helena deu o tom das discussões que estavam por vir ao longo da semana , criticando o corte do orçamento para o Ministério de Ciência e Tecnologia. A previsão é que haja redução de até 30% na pasta. “Eu vejo um horizonte muito negativo. Ou se reverte este quadro revogando os cortes ou haverá arrependimento depois. E o arrependimento não será amanhã, porque o problema só será sentido mais para frente, quando será tarde para resolver”, disse.

Outra preocupação é com as alterações do Código Florestal. A SBPC quer que o assunto passe pela avaliação da Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado . No entanto, após vários apelos da entidade, ainda não foi definido pelo congresso se o tema passará pelo crivo da comissão.

Uma questão muito discutida na reunião da SBPC foi o marco legal para ciência, tecnologia e inovação – cientistas pedem uma lei mais ágil para a compra de equipamentos para a pesquisa. “É inacreditável e do jeito que as coisas estão indo, vai ficar cada vez pior”, disse Helena.

Ela afirma que a legislação atual para comprar equipamento ou componentes para pesquisas científicas acaba por atrasar os estudos, fazendo com que o Brasil perca em competitividade. “Não queremos falta de controle, mas não queremos que o fato de seguir as regras implantadas impeça a produção cientifica”. Ela também disse que vai propor mudanças na lei de acesso à biodiversidade, que considera ser responsável por “praticamente impedir a coleta de material”.

A reunião de 2011 teve 8.886 participantes de todas as partes do país. Foram 438 palestrantes em 174 conferências, mesas-redondas e simpósios. No próximo ano, a reunião da SBPC será em São Luís, no Maranhão, e ainda não tem tema definido.


    Leia tudo sobre: ciênciareuniãoSBPChelena nader

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG