Para chimpanzés envelhecidos, aposentadoria ou pesquisa médica?

Cientistas debatem nos Estados Unidos até que idade é eticamente razoável usar um animal para pesquisa

The New York Times |

The National Geographic
Chimpanzé idoso come cocos e se diverte em piscina infantil no Instituto de Primatas de Alamogordo, no Novo México
Muito tempo se passou desde que Flo vivia em exposição no Jardim Zoológico de Memphis. Mais ainda desde que ela aprendeu a fumar cigarros durante uma temporada com o circo. Mais recentemente, ela foi uma chimpanzé de pesquisa no Novo México, como parte de um extenso programa de testes biomédicos para a hepatite C e HIV.

No momento, porém, ela está desempregada – mas talvez não por muito tempo.

Flo e os 185 outros chimpanzés que vivem no Instituto de Primatas de Alamogordo na Base Aérea Holloman, não foram sujeitos à pesquisa por quase uma década – parte de um acordo entre os Institutos Nacionais de Saúde e os militares, que proíbe o uso de animais para testes biomédicos em suas bases.

Mas, recentemente, o Instituto de Saúde decidiu que queria usar os chimpanzés para pesquisas médicas de novo, principalmente para ajudar a encontrar uma vacina contra a hepatite C.

A medida tem gerado indignação entre os defensores dos direitos dos animais, especialistas em primatas e políticos, que dizem que os chimpanzés – muitos deles de meia-idade e idosos – devem viver o resto de suas vidas em paz, depois de anos de pesquisas invasivas.

Ele também lançou uma nova luz sobre o debate entre a ciência e a ética, com todos, desde o lendário primatologista Jane Goodall até o governador Bill Richardson, do Novo México, oferecendo suas opiniões.

“Estes chimpanzés abriram mão de sua liberdade, de seu ambiente natural, seu corpo, sua saúde, seus filhos em nome da pesquisa”, disse Laura Bonar, diretora do programa de Proteção Animal do Novo México, que quer que o governo transforme a unidade em Alamogordo em um santuário de aposentadoria para os chimpanzés. “E no final das suas vidas, podemos lhes dar algo em troca”.

Para o instituto de saúde, no entanto, os chimpanzés de Alamogordo representam um recurso inestimável. Pelo acordo com a Força Aérea, a pesquisa biomédica não pode ser realizada em animais. Esse acordo foi forjado após o instituto ter adquirido os chimpanzés da Fundação Coulston, um famoso laboratório de pesquisa do Novo México, que foi descoberto por oficiais federais abusando e negligenciando os animais.

Em 2001, o instituto concedeu ao Laboratório Charles River um contrato de 10 anos para prestar assistência médica aos chimpanzés, muitos dos quais foram infectados ou expostos a hepatite C e ao HIV por meio de pesquisas prévias.

Harold Watson, que dirige o programa de pesquisa com chimpanzés para o Centro Nacional de Recursos de Pesquisa, disse que com o fim do contrato só faz sentido usar os chimpanzés para sua finalidade original. A pesquisa muito provavelmente envolverá a retirada periódica de amostras de sangue, biópsias hepáticas e, em alguns casos, a inoculação com hepatite C, ele disse.

Apesar da crescente pressão, o instituto tem mostrado poucos sinais de mudança em seu plano.

A cerca de 15 quilômetros da base, um grupo separado de 82 chimpanzés também está à espera de ser transferido, mas a um exuberante santuário na Flórida gerido pela Save the Chimps, um grupo de resgate.

O Save the Chimps quer que o Instituto aposente definitivamente o resto dos chimpanzés de Alamogordo em um santuário.

    Leia tudo sobre: chimpanzésenvelhecimentoestados unidos

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG