Ovelhas alteram registro de anéis das árvores

Método tem sido usado desde o início dos anos 1900 para o registro climático do planeta

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Atle Mysterud
Estudo mostrou que ovelhas alteram aneis dos troncos das árvores
Pesquisadores da Noruega descobriram o tradicional método de analisar os anéis dos troncos da árvores para saber como era o clima no passado não é tão certeiro quanto parecia. Eles constataram que animais herbívoros, como as ovelhas, podem alterar estas marcações.

Em altas latitudes e altitudes, as árvores crescem mais rápido nos anos mais quentes, o que faz com que a largura dos anéis varie de acordo com a mudança das temperaturas. Elas servem como uma janela para o passado e tem sido usado com registro climático desde o início de 1900. No entanto, quando muitos animais se alimentam das folhas e brotos, as árvores crescem menos. “Menos folhas significa menos fotossíntese”, disse ao iG James Speed autor do estudo publicado no periódico científico Functional Ecology.

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Árvores crescem mais rápido nos anos mais quentes e isto pode ser notado nos anéis de seus troncos
A equipe de pesquisadores analisou o tronco de 206 bétulas em uma região montanhosa da Noruega. Depois de nove verões foram medidas as larguras dos troncos e o tamanho dos aneis. O grupo comparou o resultado com a temperatura do local e a densidade populacional de ovelhas na região. De acordo com o estudo, a largura dos anéis é mais afetada pela quantidade de ovelhas que do que pelo clima. Os pesquisadores destacam que embora ocorra as alterações nos padrões dos anéis, é possível identificar que a temperatura continuasse relacionada com a largura dos anéis.

“É importante que estes estudos também estimem o número de herbívoros que vivia no passado por meio de registros fósseis de esporos de fungos que viviam no esterco dos herbívoros. Seria interessante comparar estes registros com o dos anéis das árvores”, disse.

Speed afirma que seu estudo não atenua os efeitos das mudanças climáticas. “O estudo diz apenas que podemos estimar melhor as temperaturas do passado a partir dos anéis de árvore. De qualquer forma, pode ser que as mudanças climáticas podem ter sido superestimadas ou subestimadas”, disse.

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