Onda de calor de 2010 na Europa foi a pior da história

Última década quebrou recordes de temperatura dos últimos 500 anos na maior parte do continente, segundo estudo

Alessandro Greco, especial para o iG |

© AP
Banhistas à beira de rio em Moscou, durante onda de calor de 2010
A onda de calor que atingiu o Leste Europeu durante o verão do ano passado foi a pior da história. A conclusão é de pesquisadores europeus que analisaram as ondas de calor fora do padrão desde 1871. “Ficamos surpresos com o fato de o verão mais quente da Europa de 2003 tenha sido superado tão rapidamente e em tantas escalas de tempo (da semana a estação inteira)”, afirmou ao iG Ricardo Trigo, um dos autores do estudo da Universidade de Lisboa, em Portugal.

A onda de calor de 2010 teve sérias consequências na Europa, em especial no Leste Europeu. Na Rússia, por exemplo, houve 55 mil mortes, mais de 1 milhão de hectares queimados, perda de 25% da produção agrícola e de US$15 bilhão (cerca de 1% do Produto Interno Bruto do país) devido ao calor excessivo.”Ficamos impressionados, embora não surpresos, que o padrão de verões quentes desde 1500 tenha mudado tão dramaticamente em apenas uma década (2001-2010). Neste período, os recordes de temperatura dos últimos 500 anos foram quebrados em cerca de 65% da Europa, incluindo o Leste Europeu (2010), o Sudoeste (2003), os Balcãs (2007) e a Turquia (2001)”, completou Trigo. Os pesquisadores também fizeram uma análise do que está por vir e concluíram que grandes ondas de calor ficarão de cinco a dez vezes mais comuns nos próximos 40 anos. Uma onda do tamanho da que ocorreu em 2010, no entanto, não deve ocorrer antes de 2050.

Não é possível ainda, porém, fazer uma relação direta entre as ondas de calor e a mudança climática.“As ondas de calor de 2003 e 2010 não podem ser atribuídas de forma definitiva à mudança climática. Mas o conjunto de grandes ondas de calor e a quebra de recordes de temperatura de 500 anos em apenas uma década são um indicativo forte deste tipo de mudança”, afirmou Trigo. A pesquisa foi publicada nesta quinta na revista especializada Science.

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