Obesidade e células-tronco podem ganhar Nobel de Medicina

Cientistas que encontraram hormônio leptina e que conseguiram extrair células-tronco da pele estão entre mais cotados

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Dois cientistas que descobriram alguns dos mistérios relacionados à obesidade e um professor que conseguiu fazer células-tronco sem usar embriões humanos estão entre os mais cotados candidatos para ganhar o Nobel de Medicina. O prêmio de 2011 será anunciado nesta segunda-feira.

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Douglas Coleman e Jeffrey Friedman, que descobriram a leptina
O comitê não dá pistas sobre os candidatos - os nomeados ficam em segredo por 50 anos - mas os ganhadores costumam ter ganho muitos outros prêmios e distinções antes de serem considerados para o Nobel.

O canadense Douglas Coleman e o americano Jeffrey Friedman ganharam vários prêmios pela descoberta da leptina, um hormônio que regula o apetite e o peso do corpo e estão na corrida pelo prêmio de US$ 1,5 milhões do Nobel.

No último ano, Coleman, do Laboratório Jackson e Friedman, da Univeversidade de Rockefeller receberam o prêmio Lasker, frequentemente visto como uma prévia do Nobel, por mostrar que a obesidade está mais ligada a distúrbios do metabolism, ou a falta de leptina, do que aos hábitos das pessoas. 

O japonês Shinya Yamanaka, outro potencial candidato a Nobel ofereceu uma grande contribuição a medicina regenerativa mundial. Ele mostrou que células tronco podem ser feitas a partir de células comuns retiradas da pele. A descoberta reduz a necessidade de uso de embriões humanos.

Yamanaka ganhou o Lasker em 2009 e este ano o Prêmio Wolf. Membro da Universidade de Kyoto, no Japão, e do Instituto Gladstone para Doenças Cardiovasculares, em São Francisco, ele poderia dividir o prêmio com o pioneiro em clonagem John Gurdon ou o pesquisador de células-tronco canadense, James Till. Till descobriu células-tronco sanguíneas, que salvaram a vida de milhares de pacientes de leucemia.

"A técnica de clonagem de Gurdon e as células-tronco de Yamanaka são de altamente interessantes no campo da ciência básica", escreveu a repórter de ciência Karin Bojs do jornal suéco Dagens Nyheter, que tem dado pistas sobre os futuros prêmios Nobel há anos. "No entanto, nenhuma pessoa foi curada por causa destas descobertas. Por isso Yamanaka e Gurdon teriam que dividir o prêmio com o canadense James Till."

Bojs diz que outros possíveis candidatos são os franco-americanos Ronald Evans, Elwood Jensen e Pierre Chambon pela pesquisa nuclar de hormônios receptores e o americano David Julius por desvendar o mecanismo pelo qual a pele avisa ao cérebro a sensação de dor, calor ou frio.

"Serão premiados pelas descobertas fundamentais que guiam o entendimento do corpo e o tratamento e prevenção de doenças", diz o secretário do comitê do Nobel, Goran Hansson, sem dar mais detalhes. Ele diz que há tantos merecedores que é difícil selecionar.

No ano passado, um jornal suéco adiantou o ganhador do prêmio  — o britânico Robert Edwards. Desde então, o comitê restringiu ainda mais as regras para manter o segredo. Mas isso não impede as pessoas de fazerem previsões.

O departamento científico de Thomson Reuters, que analisa artigos acadêmicos de alto impacto para fazer apostas, sugere que os cientistas americanos Brian Druker, Nicholas Lydon e Charles Sawyers poderiam ser premiados pela descoberta de drogas que transforma leucemias mielóides, que eram um câncer fatal, em doença tratável.

Suas previsões também incluem Robert Langer e Joseph Vacanti "por suas pesquisas pioneiras em engenharia de tecido e medicina regenerativa", assim como Jacques Miller, Robert Coffman e Timothy Mosmann pela descoberta de dois tipos de células sanguineas e suas correspondências a respostas imunológicas.

Desde que foi criado o Nobel de Medicina costuma premiar mais descobertas que significam avanços em tratamentos do que pesquisas que mostram o funcionamento do corpo. As outras categorias incluem Física, Química, Literatura e Paz. Outro prêmio, de Economia, foi criado mais recentemente, em 1968.

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