Por Patricia Zengerle WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos EUA, Barack Obama, vai nesta quarta-feira ao Congresso para um discurso em que promoverá a reforma da saúde pública, sua maior prioridade na política interna.

Assessores dizem que o pronunciamento, a ser transmitido pela TV, irá apresentar detalhes sobre a reforma, que pelo plano dele custaria 2,5 trilhões de dólares. Eles afirmaram, porém, que Obama não oferecerá um projeto de lei próprio nesse sentido.

"O presidente irá delinear seu plano daqui para frente", disse o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, referindo-se tanto ao projeto da saúde quanto à forma com a qual Obama pretende negociar sua aprovação no Congresso. "Não acho que vocês irão sair confusos sobre onde ele se encontra."

Obama disse ao canal ABC News que usaria o discurso para "assegurar que democratas e republicanos entendam que estou aberto a novas ideias, que não estamos sendo rígidos e ideológicos a respeito disso, mas pretendemos que algo seja feito neste ano."

O principal objetivo de Obama é oferecer assistência médica aos 46 milhões de norte-americanos que não podem arcar com os planos de saúde privados, e garantir mais segurança aos que podem.

"O plano irá trazer reformas que reduzirão o crescimento insustentável no custo da saúde, que dobrou na última década e dobrará de novo a não ser que atuemos"m disse uma fonte oficial, que pediu anonimato.

A reforma da saúde era uma promessa de campanha de Obama, mas a bancada democrata, que domina o Congresso, não consegue chegar a um acordo sobre o projeto, enquanto a oposição republicana se opõe a ele.

Dúvidas sobre a abrangência e custo do projeto derrubaram a popularidade de Obama nos últimos meses, refletindo o debate às vezes agressivo entre os políticos.

"Estamos em um ponto do debate legislativo em que ele precisa colocar algumas coisas sobre a mesa e tirar algumas coisas", disse Darrell West, diretor de estudos da governança no Instituto Brookings, de Washington.

O pronunciamento, numa sessão conjunta do Congresso, irá começar às 20h (21h em Brasília), com duração de cerca de 30 minutos, segundo Gibbs. Pesquisas indicam que muitos norte-americanos pretendem assistir.

O alvo do discurso parece ser tanto a bancada democrata quanto a opinião pública. Se Obama conseguir unificá-los e estimulá-los, conseguirá aprovar a reforma, segundo analistas.

"O jogo agora se resume a: 'Poderá o governo manter os democratas na linha para uma lei que realmente represente algo?,'" disse James Morone, professor da Universidade Brown e autor de "The Heart of Power: Health and Politics in the Oval Office" ("O coração do poder: saúde e política no Salão Oval").

"Ele terá os votos se (os parlamentares democratas) tiverem coração e coragem de se manterem unidos."

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