Nuvens brilhantes revelam ligação entre polo norte e polo sul

Nuvens noctilucentes, que brilham no alto da atmosfera perto dos polos, mostram circulação de vento entre os extremos da Terra

iG São Paulo |

Nasa
Mapa de nuvens noctilucentes em torno do polo norte,feito em 31 de dezembro de 2009
No alto do céu, perto dos polos a cerca de 75 km de altitude, às vezes aparecem nuvens azul-prateadas, brilhando à noite. Descobertas em 1885, essas nuvens são chamadas “noctilucentes”, e são o objeto de mais de 100 anos de pesquisa.

Desde 2007, uma missão da NASA chamada Aeronomia do Gelo da Mesosfera, ou AIM, na sigla em inglês, vem mostrando que a formação das nuvens muda de um ano para o outro, um processo que, acreditam os cientistas envolvidos no projeto, está intimamente ligado ao clima mundial.

“A formação das nuvens requer água e temperaturas extremamente baixas”, disse, por meio de nota, o pesquisador Charles Jackman. “A temperatura acaba sendo um dos principais fatores envolvidos quando as nuvens aparecem”.

A aparição das nuvens noctilucentes pode, por causa disso, fornecer informações sobre a temperatura e outras características da atmosfera.

Desde que essas nuvens foram observadas pela primeira vez, cientistas já aprenderam um bocado sobre elas. Sabe-se que brilham porque estão tão altas no céu que refletem a luz do Sol que vem de além do horizonte. São formadas por cristais de gelo que se congregam, muito provavelmente, em torno de poeira de meteoro. E só aparecem no verão.

Um fato que o estudo das nuvens demosntrou foi a conexão profunda entre o clima nos polos norte e sul.

Os pesquisadores da missão AIM acreditam que a elevação do ar polar no verão de cada hemisfério que contribui com a formação de nuvens noctilucentes é parte de um sistema de circulação que trafega entre os polos. Ventos no hemisfério norte parecem influenciar a circulação no sul.

As primeiras pistas de que o vento nos polos norte e sul estavam ligados surgiram em 2002 e 2003, quando pesquisadores notaram que, a despeito de um clima calmo nas regiões baixas da atmosfera junto ao pólo sul, nas altitudes superiores havia grande variabilidade.

As imagens obtidas pela AIM mostram que existe um intervalo de 3 a 10 dias entre eventos na baixa atmosfera do norte e na alta atmosfera do sul.

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