Novos tremores de terra são registrados no Nordeste brasileiro

Região é a de maior atividade sísmica do país e tremores começaram a ser observados em locais inéditos

Thiago André, especial para o iG |

Arte/iG
Mapa mostra a região onde os tremores foram registrados pela equipe da UFRN
Um aumento no registro de tremores de terra no Nordeste do Brasil tem sido verificado por pesquisadores do Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Apesar de a série histórica dos dados mostrar que esses abalos são de baixa intensidade, atividades sísmicas que antes eram observadas em locais específicos passaram a ser identificadas em outras regiões, sobretudo nos estados da Bahia, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

Segundo o coordenador do laboratório, Joaquim Mendes Ferreira, a área de maior atividade sísmica no Brasil está na chamada borda da Bacia Potiguar, que inclui o Rio Grande do Norte e o leste do Ceará, onde nos últimos anos ocorreram três tremores de terras com magnitude maior ou igual a cinco pontos na escala Richter.

“Esses tremores causaram o colapso de várias casas e pânico e fuga da população, causando um sério problema social na região. A magnitude do sismo está diretamente relacionada com os estragos nas edificações”, disse Ferreira. “O problema é que atualmente estão sendo identificadas, por meio de registros de estações sismográficas, novas áreas sísmicas no Nordeste onde até então não se tinha nenhuma notícia de tremores”, alerta.

Há outras áreas sísmicas críticas no Brasil, como em cidades do Mato Grosso, mas essas regiões ainda são pouco povoadas. “No Nordeste, temos a combinação da atividade sísmica com a alta densidade populacional”, explica. Na cidade de Alagoinha, em Pernambuco, distante 225 quilômetros de Recife, no começo do ano foram registrados mais de 50 pequenos tremores em apenas 10 dias. “Após esse surto, a atividade sísmica na região caiu e, hoje, os tremores nessa área são mais esporádicos”, disse Ferreira.

É muito comum que a atividade sísmica no Nordeste se dê na forma de “enxame”, explica o pesquisador, com a ocorrência de vários tremores durante longos períodos de tempo. “Isso tem um efeito psicológico intenso e já causou muito pânico na população, principalmente nas cidades de João Câmara, Caruaru e Doutor Severiano”, disse.

Os pesquisadores ainda estão investigando as causas dessa intensa atividade sísmica no Nordeste brasileiro, mas supõe-se que muitos tremores ocorram pelo fato de a crosta continental da região ser menos espessa e, por isso, propensa a mais abalos do que o restante do país.

“O fato da espessura da crosta ser menor na região, pelo menos da Bacia Potiguar, pode ser uma das causas. Sabemos que nem sempre a atividade sísmica está relacionada com falhas geológicas, mas uma exceção são as atividades sísmicas em Pernambuco, que estão relacionadas ao chamado ‘lineamento de Pernambuco’ e suas ramificações, uma falha geológica que corta todo o estado”, aponta Ferreira. O especialista abordará esse assunto em conferência na 62ª Reunião Anual da SBPC, evento que a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência realizará de 25 a 30 de julho, em Natal (RN).

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