Novo supercontinente deve acabar com mar do Caribe e Oceano Ártico

Pesquisadores da Universidade de Yale desenharam próxima junção de continentes a partir de modelo diferente dos tradicionais

Alessandro Greco, especial para o iG |

Divulgação/Nature
No mapa, como a junção de América e Ásia pelo norte vai criar um novo supercontinente, a Amásia
De tempos em tempos, os continentes da Terra se unem formando supercontinentes. A próxima junção prevista para acontecer é a união das Américas com a Ásia, a chamada Amásia, o que especula-se que deve acontecer em até 200 milhões de anos.

Em pesquisa publicada nesta quarta-feira (8) no periódico científico Nature, três geólogos da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, propõe uma forma de união de continentes diferente dos dois modelos tradicionais utilizados até agora pelos cientistas. A primeira versão, chamada “introversão”, afirma que os novos supercontinentes se formam sobre os anteriores e a segunda, conhecida como “extroversão”, diz que eles se formam no lado oposto do ultimo supercontinente. “Apresentamos uma terceira que batizamos de versão “orto”. Ela é um meio do caminho entre dois modelos [introversão e extroversão] totalmente opostos, que especifica um estilo de transição que está exatamente entre os dois”, explicou ao iG Ross Mitchell, um dos autores do artigo.

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Na versão “orto”, novos supercontinentes se formam em um ângulo de 90° relativo ao centro geográfico de seus predecessores. Com base neste modelo, o trio prevê que Amásia irá se formar quando as Américas do Sul e do Norte se unirem, indo em direção ao norte e se juntarem à Europa e Ásia – consequentemente o mar do Caribe e o oceano Ártico deixarão de existir.

De acordo com os cientistas, o centro da Amásia ficaria em algum ponto do atual Oceano Ártico. Até o momento, as hipóteses sugeriam que o centro do próximo supercontinente será na África, e a outra diz que será no oceano Pacífico, em algum ponto entre as ilhas de Havaí, Fiji e Samoa. Segundo estes modelos, a união dos continentes ocorreria por meio do oceano Atlântico ou do Pacífico, respectivamente, enquanto o modelo de Mitchell defende que isso aconteceria através do Ártico.

A criação de supercontinentes é um evento cíclico. Acredita-se que Pangeia seja o mais recente deles – os anteriores foram Rodínia e Nuna. Formado há 300 milhões de anos com a África em seu centro, foi a separação de Pangea que deu origem aos continentes como conhecemos hoje – e também ao oceano Atlântico.

Para chegar ao modelo “orto”, os pesquisadores analisaram o perfil magnético de rochas antigas para determinar o movimento dos supercontinentes anteriores a Amásia. “Encontramos valores perto de 90° para Pangea e seu predecessor Rodinia (formado há 1 bilhão de anos) assim como para o predecessor dele, Columbia (formado há 1,8 bilhão de anos)”, explicou Mitchell.

Os estudiosos, no entanto, deixaram em aberto quando isto deve acontecer. O que se sabe é que provavelmente será daqui um período de 50 a 200 milhões de anos.

(Com informações da EFE)

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