Novo método usa luz para medir açúcar no sangue

Tecnologia está sendo desenvolvida há 15 anos por pesquisadores do MIT

Alessandro Greco, especial para o iG |

Patrick Gillooly
Voluntário mostra em seu braço como o medidor de glicose por luz funciona: adeus às agulhas
Há 15 anos um grupo de pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) nos Estados Unidos vêem estudando a possibilidade de usar luz para medir a quantidade de açúcar no sangue.

A engenhoca daria adeus ao furo no dedo usualmente utilizado para realizar este tipo de medição – excesso ou falta de glicose podem causar sérios danos ao organismo. “É um procedimento doloroso e inconveniente especialmente para pessoas com diabetes tipo 1 que precisam fazer a medida 5 a 10 vezes por dia. ”, explicou ao iG , Ishan Barman, um dos pesquisadores do Laboratório de Espectroscopia do MIT que fez o estudo.

A tecnologia sempre emperrou em um detalhe técnico: na hora de medir a quantidade de glicose com luz, os cientistas acabavam medindo a glucose no fluido intersticial que banha as células da pele e não no sangue. A saída foi criar um algoritmo matemático para fazer a relação entre os dois níveis.

Isso não é trivial como parece, pois logo apos uma pessoa ingerir açúcar (comendo ou bebendo algo que contenha glicose), a quantidade de açúcar no sangue sobe rapidamente, mas no fluido intersticial o efeito demora de 5 a 10 minutos para acontecer. Ou seja: a correspondência entre os dois níveis não é direta.

Patrick Gillooly
Espectroscópio de Raman: desafio agora é diminuir tamanho do equipamento
A solução encontrada por Ishan e seu colega Chae-Ryon Kong em conjunto com o diretor associado do Laboratório Ramachandra Rao Dasari foi criar um novo método de calibração que leva em conta essa diferença temporal. O resultado foi publicado em julho na revista Analytical Chemistry.

O aparelho usado para fazer a medição usa uma tecnologia chamada de espectroscopia de Raman, que identifica os compostos de uma molécula com base na freqüência de vibrações das ligações químicas. Com ela basta escanear o braço ou o dedo do paciente com luz e a máquina devolve o resultado.

Atualmente eles estão desenvolvendo um espectroscópio de Raman do tamanho de um laptop, e esperam iniciar um teste clínico para verificar a precisão do algoritmo com pacientes saudáveis ainda este ano. Hoje mais de 285 milhões de pessoas tem diabetes no mundo segundo dados da Federação Internacional de Diabetes. “O diabetes é também um problema econômico com custos para o sistema de saúde na casa dos bilhões de dólares em todo o mundo”, completa Ishan.

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