Novo material pode dar ímpeto a energia solar

Nanotubos de carbono são a base de novo composto desenvolvido por pesquisadores do MIT

Alessandro Greco, especial para o iG |

Getty Images
Modelo de nanotubo de carbono: combinação com azobenzeno barateou o material
Um material feito com nanotubos de carbono e uma molécula chamada azobenzeno promete guardar e liberar energia do sol a custo baixo por longos períodos de tempo. Criado por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), ele consegue este feito mudando sua estrutura física.

Leia também:
Pesquisadores criam fios com nanotubos de carbono


A pesquisa, publicada no periódico científico Nanoletters, é um passo adiante em um trabalho feito ano passado também pelo MIT que mostrou como uma molécula chamada dirutênio fulvaleno fazia para capturar e liberar energia solar.

O melhor entendimento desse processo levou os pesquisadores a procurar por outros compostos feitos de materiais abundantes e baratos que pudessem ser utilizados da mesma forma – o rutênio é um metal do grupo da platina, extremamente caro. Neste ponto, entrou o azobenzeno.

“Já foi demonstrado que o azobenzeno pode trocar suas duas estruturas mais de 10 mil vezes sem degradar, fazendo dele uma molécula muito atraente – um dos maiores problemas das moléculas estudadas há 20 e 30 anos é que elas conseguiam realizar apenas alguns ciclos [entre suas estruturas] antes de ficaram inutilizadas.”, explicou ao iG Alexie Kolpak, um dos autores do estudo. E completou: “O azobenzeno sozinho, porém, seria basicamente inútil como combustível solar. Seria necessário um volume enorme dele para conseguir energia suficiente para, por exemplo, alimentar um iPod. Ao combinar o azobenzeno com moldes de nanotubo de carbono conseguimos aumentar a energia diversas vezes ao mesmo tempo em que mantivemos a resistência a degradação demonstrado pela molécula de azobenzeno.”Além de ser mais barato do que o fulvalênio dirutênio o novo composto é mais eficiente ao armazenar 10 mil vezes mais energia solar no mesmo espaço – um valor comparável ao das baterias recarregáveis de íon-lítio muito utilizadas em aparelhos eletrônicos portáteis.

A técnica utilizada para criar o composto, segundo os pesquisadores, pode ser usada para criar outros materiais. “Podemos ajustar diversas propriedades do material como a capacidade de guardar energia e o tempo que ela ficará armazenada”, explicou Kolpak. Atualmente eles estão testando materiais com o qual seja possível ajustar melhor a quantidade de energia para mudar entre as duas estruturas, uma das. Ela é chave para que uma molécula consiga encontrar um equilíbrio entre armazenar e liberar energia. “Estamos estudando diversas moléculas do ponto de vista teórico e experimental em moldes de nanotubos. No momento não temos como dar informações específicas sobre com quais estamos trabalhando, mas esperamos apresentar resultados em breve”, afirmou Kolpak.

    Leia tudo sobre: nanotubosenergias alternativas

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG