Novo calendário da ocupação humana na Europa

Estudo sugere que a primeira ocorrência de seres humanos na Grã-Bretanha teria ocorrido 100 mil anos antes do que o previsto

Thiago André, especial para o iG |

John Sibbick/AHOB
Ilustração mostra como seria a rotina dos homínideos em Norfolk, há 780 mil anos


A dispersão dos seres humanos pelo norte da Europa ocorreu em direções distintas e em um período mais precoce do que se conhecia anteriormente, de acordo com um estudo que acaba de ser publicado na revista Nature.

Com base em artefatos encontrados em Happisburgh, na costa de Norfolk, Inglaterra, foram encontradas novas evidências da colonização de hominídeos no noroeste da Europa há 780 mil anos, trazendo novas evidências que seres humanos primitivos eram capazes de sobreviver no extremo sul da zona boreal.

Os primeiros ingleses
De acordo com os responsáveis pela pesquisa, cientistas da Universidade de Londres, University College London, Museu de História Natural e Museu Britânico, essas descobertas representam os primeiros indícios de seres humanos na Grã-Bretanha, que teriam ocupado a região, pelo menos, 100 mil anos mais cedo do que as descobertas anteriores.

nullAté então, o conhecimento científico sobre a colonização humana na região estava restrito às regiões dos Alpes e dos Pirineus, no sudoeste da Europa, e os primeiros achados de ocupação humana na Grã-Bretanha eram de 500 mil anos atrás. As novas evidências indicam que, durante o Pleistoceno, os hominídeos teriam ocupado regiões no norte do continente europeu há mais de 700 mil anos.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores analisaram um conjunto de 78 ferramentas e artefatos de pedras encontrados em Happisburgh.

Os cientistas determinaram a idade dos materiais e outros sedimentos coletados por meio de técnicas conhecidas como paleomagnetismo, bioestratigrafia e ressonância de spin eletrônico. Entre outras coisas, fizeram uma série de estudos das rochas, cujas características indicaram repetidas visitas aos sítios arqueológicos analisados. Os experimentos foram incrementados com o desenvolvimento de alguns modelos virtuais em 3D dos artefatos de pedra.

Para os pesquisadores, essas novas descobertas contribuem para a melhor compreensão do comportamento humano precoce, adaptação e sobrevivência dos seres humanos, além do tempo e do modo de colonização na Europa depois que nossos antepassados saíram da África, mas eles reconhecem que ainda há muito trabalho pela frente para obter datas mais precisas e também para comprovar os dados em outros sítios arqueológicos nos países europeus.

As escavações em Happisburgh foram financiadas pelo Museu Britânico, no Reino Unido, e coordenadas por arqueólogos, paleontólogos e geólogos europeus do grupo Ancient Human Occupation of Britain (AHOB).

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