Novas tecnologias na busca de diamantes

Reconstrução das posições de placas tectônicas durante os últimos 540 milhões de anos poderá ajudar a encontrar pedras preciosas

Thiago André, especial para o iG |

Getty Images
Diamantes: agora ficou mais fácil de encontrá-los
Um grupo de cientistas estrangeiros acaba de oferecer pistas importantes que podem aumentar as chances de identificação de novas jazidas de diamante em todo o mundo. Por meio de imagens tomográficas, diagramas e outras técnicas paleomagnéticas, eles reconstruíram as posições de placas tectônicas na crosta continental durante os últimos 540 milhões de anos para localizar áreas com kimberlitos, rochas formadas por erupções vulcânicas consideradas a mais importante fonte das gemas.

O trabalho, publicado na revista Nature, aponta que plumas do manto quente terrestre, instaladas abaixo da superfície, seriam as responsáveis pela distribuição dos kimberlitos entre 200 e 540 milhões de anos atrás. O estudo é assinado por pesquisadores da Universidade de Oslo, na Noruega, Universidade de Houston, nos Estados Unidos, Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, e do German Research Centre for Geosciences, na Alemanha.

Os diamantes são formados em condições de alta pressão há mais de 150 quilômetros de profundidade e são trazidos para a superfície por rochas vulcânicas, os kimberlitos. Os autores do estudo sugerem que os exploradores de diamantes devem concentrar suas buscas por kimberlitos mineralizados em antigas áreas continentais denominadas crátons, que são porções que remontam a terrenos com idades superiores a 2,5 bilhões de anos.

Com esses dados, segundo eles, é possível concentrar a busca por pedras de diamante em uma área correspondente a cerca de 10% da área total dos continentes. "O estudo tem uma abordagem inovadora porque combina observações sismológicas do interior da Terra com a constatação de como as placas tectônicas se moviam sob a superfície nos últimos 500 milhões de anos," disse em comunicado à imprensa Kevin Burke, professor do Departamento de Geociências da Universidade de Houston.

Após mapear milhares de rochas em diferentes regiões do planeta, o trabalho, que também realizou uma série de análises matemáticas com base em estudos da geometria esférica da superfície da Terra, mostrou ainda que a distribuição de kimberlitos segue um padrão estrutural definido. Entre os kimberlitos analisados estão os encontrados em regiões da África e em outros países de continentes vizinhos que têm o manto terrestre ligado ao africano, onde os diamantes mais caros do mundo são encontrados.

"Embora o manto profundo seja sólido, o material que o compõe está em constante movimentação porque o manto é muito quente e está sempre sob alta pressão, assim como as rochas acima dele", complementou Burke. Os kimberlitos são ricos em minerais como cromita, granada, diopsidio, ilmenita e flogopita. O valor de um diamante depende de quatro fatores conhecidos no comércio internacional: cor, pureza, lapidação e peso.

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