Nova base não ficaria pronta antes de três anos, diz arquiteta

Cristina Engel, que coordenou construção de parte da estação brasileira na Antártida, diz que logística no continente é complicada

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Arte iG
Veja onde ocorreu o acidente
De acordo com Cristina Engel de Alvarez, arquiteta que coordenou parte da construção da base Comandante Ferraz, na Antártida, ainda não é possível prever se a nova base ficará pronta em dois ou três anos. “Na Antártida só é possível construir durante o verão. Portanto, as construções só podem começar no ano que vem. Além deste limite por causa do clima, é preciso limpar o terreno, comprar material, a construção também exige toda uma logística de navios que é muito complicada”, disse ao iG Cristina.

Cristina, que é pesquisadora da Universidade Federal do Espirito Santo e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Antártico (INCT-APA), afirmou que na próxima semana irá a Brasília com outros pesquisadores para discutir planos da nova construção. Na madrugada de hoje (27), o almirante Júlio Soares de Moura Neto, que a nova estação antártica brasileira, que substituirá a base destruída, começará a ser reconstruída no próximo verão.

O incêndio nos geradores da estação no último sábado (25) destruiu 70% da edificação, matou dois militares e comprometeu 40% dos estudos científicos brasileiros no continente. De acordo com avaliação preliminar da equipe do grupo que estava na estação brasileira indica que o prédio principal, onde ficava a parte habitável e alguns laboratórios de pesquisas foram completamente atingidos pelo incêndio.

“Fogo é pior que o frio”
Cristina lembra que o medo de fogo na Antártida é muito maior que o do frio. “Isto porque, o clima é muito seco e há muito material combustível”, disse. Outro problema é o vento forte na região que rapidamente espalha o fogo e aumenta a gravidade dos acidentes. Estações da Rússia e da Argentina já tiveram parte destruída por causa de incêndios nos últimos anos.

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A Estação Antártica Comandante Ferraz é formada por um corpo principal que mede cerca de 100 metros de comprimento, com maior densidade de alojamentos e laboratórios. Cada quarto, chamado de camarote, que abriga duas pessoas, mede cerca de 9 m 2 e conta com dois sensores de fumaça e fogo. Algumas estações de outros países – principalmente de países de clima frio - são compostas por módulos independentes onde os pesquisadores precisam ir ao exterior para transitar entre os módulos. Na base brasileira, os pesquisadores não precisavam enfrentar o frio externo para se locomover de um camarote para um laboratório, por exemplo.

Cristina defende a opção de construir a base de forma compacta. “Mesmo a estação sendo compacta ou espalhada, não havia muito o que evitar naquele acidente. Porque foi muito fogo, foi uma explosão muito forte”, disse ao iG . Cristina explica que outra dificuldade para se construir a nova base é que a estação fica em um ponto de depressão. “Não dá para se espalhar, pois a geografia não permite. Todas as decisões feitas neste projeto foram tomadas por uma série de motivos”, disse. 

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