“No começo, não achávamos que seria tão grave”, diz pesquisador da Antártida

Equipe da estação não se sentiu em risco iminente durante o incêndio que matou dois militares e destruiu 70% da base da Marinha

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

AP
Incêndio destruiu 70% da base da Marinha na Antártida e boa parte das pesquisas em curso
A gravidade do incêndio na Estação Antártica Comandante Ferraz, na Antártida, com a morte de dois militares e destruição de 70% da base , surpreendeu os pesquisadores que estavam lá na madrugada, quando o fogo começou.

Leia também: Militares são evacuados de estação devido a ‘condições adversas’

“No começo, não achávamos que seria tão grave. A esperança era de que seria controlado”, afirmou o pesquisador da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) José Juan Barrera Alba, espanhol, há 12 anos no Brasil.

Ação dos militares preservou pesquisadores do perigo

De acordo com Alba, em nenhum momento os pesquisadores temeram pela vida. “Estávamos bem assessorados pelos militares. Não ficamos preocupados com a nossa vida, sabíamos que sairíamos de lá. Fomos prontamente socorridos pelos chilenos, pela estação polonesa, pelo navio argentino”, disse. Ele ressalvou, porém, que a situação foi muito "tensa e grave".

"A gente confiava no Grupo Base (militares brasileiros) e seguimos suas orientações, o que fez com que nos sentíssemos seguros o tempo todo. Graças à ação deles, sempre preocupados em preservar nossa integridade física, ficamos afastados de qualquer contato com fogo ou fumaça e isso fez com que não nos sentíssemos em perigo", afirmou.

Os chilenos disponibilizaram três helicópteros, dois botes, e muitos técnicos. Foram eles que evacuaram os brasileiros para a base chilena Presidente Eduardo Frei.

Reuters
Militares e técnicos chilenos trabalham para apagar o fogo na base brasileira
“Foi uma fatalidade”, diz Juan Alba

O espanhol, que dormia na hora do início do incêndio, estava na base pela quarta vez e nunca sentira nenhum tipo de insegurança no local. Ele atribuiu o episódio a uma “fatalidade”.

“Sempre tinha sido muito tranqüilo. Foi uma fatalidade, que pode acontecer em qualquer lugar. Os equipamentos eram relativamente novos, acontece muitas vezes em navios.”

De acordo com o ministro da Defesa, Celso Amorim, a nova estação terá "segurança redobrada".

Alba pesquisava microalgas na região e afirmou ter perdido “bastante” material, ainda à espera de análise . Ele voltaria ao Brasil entre os dias 10 e 12 de março e chegou na noite deste domingo, no Rio, junto com outros pesquisadores e militares que estava na Antártida .

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