Neurotoxina tropical encontrada no Mar Báltico

Anteriormente ela só tinha sido encontrada em plantas terrestres; há evidências que ela pode se concentrar em peixes e moluscos

The New York Times |

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Peixes no Mar Báltico: ainda não se sabe se a toxina acumulada nos animais pode fazer mal
Na década de 1950, o povo chamoro de Guam enfrentou uma incidência muito alta de uma doença neurodegenerativa similar à esclerose lateral amiotrófica, também chamada de doença de Lou Gehrig. Uma neurotoxina chamada BMAA, que é produzida por uma cianobactéria encontrada nas sementes de uma planta comestível e se acumula na cadeia alimentar, há tempos é apontada como a possível causa.

Agora, um estudo descobriu BMAA produzida por cianobactérias num ecossistema bastante diferente – as águas do Mar Báltico. E os pesquisadores encontraram evidências de que ela se acumula em peixes e moluscos do fundo do mar.

Sara Jonasson, pesquisadora da Universidade de Estocolmo e principal autora do estudo que aparece em “The Proceedings of the National Academy of Sciences”, disse ser cedo demais para saber se a neurotoxina BMAA encontrada nos peixes bálticos pode ser prejudicial à saúde humana. Mas o assunto, segundo ela, merece pesquisas adicionais.

Jonasson e outros desenvolveram um método para isolar e analisar a BMAA, que era muito difícil de identificar no ambiente. Usando essa nova técnica, eles analisaram o conteúdo de BMAA em florescências de plâncton do Mar Báltico no verão, e em diversos peixes e moluscos.

“Isso é praticamente a primeira descoberta de que temos BMAA em ecossistemas aquáticos”, afirmou Jonasson. “Mas não sabemos que níveis de BMAA são necessários para desenvolver uma doença. Nenhum dos países ao redor do Báltico são lugares propícios a esse tipo de doença”.

Jonasson e seus colegas estão continuando a estudar o Báltico, procurando por mais espécies de peixes ao longo do ano. “Agora que nós finalmente temos o método, podemos começar com a biologia de verdade”, disse ela. “Tínhamos de ter certeza de que estávamos vendo BMAA, e não alguma outra coisa”.

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