Neurocientistas têm até setembro para usar equipamentos em Natal

Em entrevista ao iG, Sidarta Ribeiro, líder dos dissidentes ligados à UFRN, diz: "Estávamos enfrentando muita dificuldade"

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

O futuro do projeto do estudo de neurociências no Rio Grande do Norte será definido a partir de setembro. Após a cisão de seus pesquisadores e a retirada de alguns equipamentos, os alunos continuam trabalhando no Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond Lily Safra (IINN-ELS), mas após este período, cabe a decisão dos órgãos públicos de como será a partilha.

“É um momento de muita esperança, pois estávamos enfrentando muita dificuldade”, disse ao iG , o Sidarta Ribeiro, um dos idealizadores do projeto em Natal, que rompeu com o neurocientista Miguel Nicolelis .

A compra de equipamentos foi feita por parceria público-privada entre o IINN-ELS e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), financiados pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

Depois da divisão divulgada na segunda-feira (25) pelo jornal Folha de São Paulo, alguns equipamentos da Universidade, adquiridos pela parceria, foram retirados. A maior parte, no entanto, continua na sede dos pesquisadores e dissidentes pretendem continuar seus estudos no Instituto do Cérebro, cuja sede provisória fica em Lagoa Nova, próximo ao campus da UFRN.

O projeto foi idealizado há 15 anos tendo como objetivo repatriar vários neurocientistas brasileiros, que atuavam no exterior. Mas recentemente, todos os 10 professores que integravam a parceria entre o IINN-ELS e a UFRN saíram do instituto, liderados por Ribeiro. No IINN-ELS ficaram apenas o diretor científico Nicolelis e o chileno Romulo Fuentes, que não é ligado à UFRN.

O problema estaria em conflitos de gestão. O iG apurou que era difícil para um pesquisador determinar sua linha de pesquisa por ser tudo muito centralizado e que isso estaria atrapalhando o andamento das pesquisas.

Hoje (28) o neurocientista Miguel Nicolelis, coordenador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal, deu entrevista coletiva sobre a cisão da equipe. De acordo com a imprensa local, Nicolelis afirmou que a saída do grupo de pesquisadores já estava prevista.

O neurocientista disse que o convênio firmado entre o IINN e a UFRN, e que termina em setembro, foi feito justamente para que estes pesquisadores vindos do exterior pudessem iniciar seus trabalhos enquanto suas instalações definitivas não ficasse pronto em Maracaíba (RN). “Pleiteamos ao governo federal que abrisse 12 vagas, através de concurso público, para professores”, disse.

Nicolelis disse ainda que a saída dos professores da UFRN do instituto é um processo comum dentro do meio científico e também muito comum em projetos de longo prazo e que a saida dos cientistas já estava prevista. O discurso desta quinta-feira foi mais ameno do que o usado no Twitter um dia antes: “Alguns cientistas acharam q o próprio umbigo era mais importante q a missão do IINN-ELS! Amanhã tudo vem [sic] tona!”

Também pelo Twitter, Nicolelis explicou o que seria o tal problema de gestão: “Ocorre, que como qualquer instituição, nós temos normas q esse grupo não aceitava seguir. Mas acesso a eles era total e irrestrito”. Em outra mensagem do microblog, acrescentou: “Inclusive, o IINN-ELS pagou com recursos privados 70% do custo operacional da infra-estrutura necessária para manter esse grupo”. 

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