Nave russa com suprimentos para estação espacial explode

Fragmentos do cargueiro Progress caíram na Sibéria. Moradores afirmam que vidros foram quebrados com o impacto da explosão

iG São Paulo |

AFP
Cargueiro Progress explodiu após lançamento no cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão

O cargueiro Progress que transportava suprimentos para seis astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional não conseguiu alcançar a órbita e pegou fogo na atmosfera nesta quarta-feira (23), lançando destroços sobre a Sibéria, informou a agência de notícias local Interfax.

"O cargueiro espacial Progress, que se desviou da órbita prevista, caiu no distrito Choiski, na República de Altai", indicou a fonte à agência "Interfax". “A explosão foi tão forte que a 100 quilômetros vidros foram lançados das janelas”, disse Alexander Borisov, chefe da região de Choisky na província Altai, à agência RIA Novosti.

Mais cedo, a Agência espacial russa Roskosmos confirmou que o cargueiro russo Progress M12-M não havia alcançado sua órbita. "Segundo dados preliminares, houve uma falha no sistema de motores", acrescentou a Roskosmos.

O cargueiro foi lançado do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão nesta quarta. Ele seria acoplado à Estação Espacial Internacional na próxima sexta-feira e carregava 2,9 toneladas de comida e combustível para a ISS.

A Estação Espacial Internacional tem suprimentos de comida para mais dois ou três meses. No entanto, o acidente ameaça atrasar o lançamento da próxima tripulação, daqui a um mês. Isto porque a cápsula não tripulada que falhou no lançamento desta quarta-feira é semelhante a que será utilizada para transportar astronautas até a ISS.

O lançamento de uma Soyuz com três astronautas, incluindo um americano a bordo está previsto para 21 de setembro, mas a investigação aberta depois do acidente "poderia ter implicações para o lançamento da nave", disse Mike Suffredini, diretor do projeto da Estação.

A Rússia perdeu contato com a nave, que transportava uma carga para a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), poucos minutos após seu lançamento.

O artefato, cuja separação estava prevista para as 17h09 de Moscou (10h de Brasília), não atingiu a órbita correta devido a uma falha nos motores do foguete portador Soyuz-U, segundo a agência oficial "RIA Novosti".

Sem os ônibus espaciais, a Nasa está contando com a Rússia, Europa e Japão, bem como empresas privadas americanas, para manter a estação abastecida. Os russos tinham três toneladas de suprimentos a bordo da Progress que foi destruída. E vai caber aos russos também o transporte de astronautas até que a indústria privada americana esteja pronta tal tarefa. O objetivo é que a ISS opere até 2020.

Nasa
A agência espacial americana nega que a perda de Progress com 2,9 toneladas de comida afete a tripulação da Estação Espacial Internacional (ISS).  Mike Suffredini disse em entrevista coletiva que estão avaliando os possíveis cenários para os próximos lançamentos mas que não estão preocupados, já que a estação está em boa condição logística.

A Nasa está estudando diferentes cenários e o especialista apontou inclusive a possibilidade de reduzir as quantidades de comida dos astronautas caso tivessem dificuldade para transportar as provisões. No entanto, insistiu que isso é pouco provável depois da carga levada por Atlantis em julho.

Além disso, se espera que a rotação da tripulação continue com seu ritmo habitual com as próximas Soyuz, embora pudessem estender temporariamente o período de estada dos seis astronautas, caso que tenham que ajustar as próximas missões.

Após a retirada das naves, de 30 anos de serviço, os Estados Unidos ficaram sem um veículo próprio para viajar à ISS e dependendo das naves russas, que realizam várias viagens por ano para levar oxigênio, combustível, alimentos e diversos equipamentos.

Enquanto isso, nos EUA começou a corrida espacial privada e 10 empresas disputam para ser a primeira a desenvolver um veículo alternativo privado.

Uma delas é SpaceX, cuja cápsula Dragon, deve fazer um voo de demonstração em novembro, com uma carga de 800 quilos, segundo lembrou Suffredini. "Nosso desejo é ter um veículo de carga americano o mais rápido possível, após a retirada das naves".

(Com informações da AP, AFP, EFE e Reuters)

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