Nave espacial japonesa capturou poeira de asteróide

A análise de amostras da nave Hayabusa indicou vestígios do asteróide Itokawa

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Técnico analisa amostra de cápsula que foi separada da sonda Hayabusa, que retornou à Terra em junho capturado com sucesso a poeira do asteróide

A agência de exploração espacial japonesa (Jaxa) anunciou nesta terça-feira "ter confirmado a presença de 1.500 partículas de asteroide" em amostras tiradas pela sonda Hayabusa, após uma memorável epopeia interestelar.

É a primeira vez que material tirado diretamente de um corpo celeste que não seja a Lua são trazidas à Terra, segundo a Jaxa. "Após a análise de poeiras presentes na coleta, pudemos constatar que quase todas eram extraterrestres e chegamos à conclusão de que se tratava de partículas provenientes do asteroide Itokawa", explicou a agência em comunicado.

"É uma notícia memorável", alegrou-se o ministro japonês da Ciência e Tecnologia, Yoshiaki Takagi, durante entrevista em Tóquio.

"Tivemos muita sorte", reagiu por sua vez, Junichiro Kawaguchi, diretor do projeto.

As 1.500 partículas em questão são todas de tamanho inferior a 10 mícrons, o que exige tecnologias especiais para análises mais avançadas, explicou a agência.

"Esperamos que, prosseguindo o estudo das poeiras de Itokawa, possamos aportar nova contribuição à compreensão da origem do sistema solar", concluiu o comunicado.

A cápsula com o conteúdo das partículas foi recuperada em junho passado no deserto australiano, após ter sido largada pela sonda Hayabusa, durante o retorno.

A sonda desintegrou-se na atmosfera, concluindo, assim, viagem de sete anos e seis bilhões de quilômetros percorridos no espaço.

"Ao final de anos de trabalho e paciência, podemos dizer que conseguimos trazer mostras de asteroide para a Terra pela primeira vez", entusiasmou-se o professor Paul Abell da agência espacial americana (Nasa), que participou da equipe que recuperou a cápsula.

A sonda Hayabusa entrou em contato com o asteroide Itokawa em setembro de 2005.

Em seguida, a sonda foi obrigada a superar inúmeros problemas técnicos, entre eles a gravidade fraca presente na superfície do pequeno asteróide, o que levou os cientistas japoneses a imaginar um sistema de coleta engenhoso: um equipamento deveria recolher a poeira projetada no impacto com a superfície do asteroide.

Dificuldades de telecomunicações com a sonda, avarias nos motores, baterias e outros equipamentos forçaram os técnicos a adiar por três anos sua volta, com a viagem se transformando em uma verdadeira odisseia.

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