Missão GRAIL foi lançada neste sábado para analisar a gravidade do satélite natural da Terra e compreender sua estrutura interna

Sondas foram lançadas à Lua, neste sábado, em viagem que durará de 3 a 4 meses
AP
Sondas foram lançadas à Lua, neste sábado, em viagem que durará de 3 a 4 meses
Quatro décadas após levar o homem à Lua, a Nasa está retornando ao satélite natural da Terra, desta vez com um conjunto de sondas robôs gêmeas que vão medir a gravidade lunar enquanto perseguem um ao outro em círculos. Os dois robôs, chamados de Grail- A e Grail-B (acrônimo em inglês para Laboratório de Recuperação de Gravidade e Interior) foram lançados neste sábado, às 10h08, em um foguete não tripulado. O lançamento estava agendado para a quinta-feira (8), mas foi cancelado por conta do mau tempo na região do Cabo Canaveral, na Flórida, Estados Unidos.

Ao criar o mapa mais preciso da gravidade da Lua já feito, os cientistas esperam descobrir o que está abaixo da superfície lunar, até o núcleo do corpo celeste. As sondas também vão ajudar a estabelecer os melhor locais de pouso para futuras missões de exploração, tripuladas ou não.

Apesar do lançamento conjunto, as duas sondas, do tamanho de máquinas de lavar roupa, se separarão uma hora após o início do voo e viajarão à Lua de forma independente. Será uma longa viagem de ida e volta, de três a quatro meses – por causa do pequeno foguete Delta II usado para impulsionar as sondas. Os astronautas do programa Apollo usaram, para fins de comparação, o poderoso Saturn V, que fazia a distância de 386000 quilômetros até a Lua em meros três dias.

Os “gêmeos Grail” viajarão mais de 3,2 milhões de quilômetros para chegar à Lua nesta jornada mais lenta, mas bem mais econômica. O custo total da missão é de 496 milhões de dólares.

Ilustração mostra como as sondas gêmeas Grail vão analisar a gravidade lunar
NASA/JPL
Ilustração mostra como as sondas gêmeas Grail vão analisar a gravidade lunar

Lua, esta desconhecida

O apelo da Lua é universal. Desde o início das viagens espaciais, em 1957, 109 missões foram à Lua, 12 homens andaram por sua superfície e 381 quilos de rohas e solo foram trazidos à Terra e ainda estão sendo estudados. Atualmente, três espaçonaves estão orbitando o satélite e fazendo estudos científicos, mas o plano de trazer mais astronautas de volta foi cancelado em favor de viagens a asteroides e a Marte.

Apesar disso, os cientistas ainda não têm um conhecimento completo da Lua. Sua formação ainda não é completamente compreendida -- esse é um dos objetivos da Grail -- e seu lado mais distante também é misterioso. "Seria de imaginar que após tantas missões, saberíamos pelo menos a diferença entre os dois lados da Lua, mas a verdade é que não sabemos," diz Maria Zuber, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e principal cientista do projeto.

Pesquisas recentes sugerem que pode ter havido um segundo satélite, menor, que se colidiu com a atual Lua , produzindo uma região montanhosa. A missão Grail pode ajudar a confirmar esta teoria.

A Grail-A chegará à Lua na véspera de Natal, e a Grail-B em primeiro de janeiro de 2012. Ambas as sondas entrarão em órbita perto dos polos lunares e irão circular a meros 55 quilômetros da superfície. Por três meses, as sondas se perseguirão uma a outra em volta da Lua, voando em formação bem marcada. A distância entre elas será de 64 a 225 quilômetros.

Sinais de rádio fornecerão sua localização exata, mesmo quando estiverem do outro lado da Lua. Será possível medir, através das variações das órbitas das sondas, os diferentes acidentes geográficos lunares, acima ou abaixo da superfície, como montanhas, reservatórios de lava e crateras. "Podemos medir as diferenças de velocidade entre as duas Grails até um décimo de mícron por segundo. É uma medição extremamente precisa," diz Maria. Para efeito de comparação, um décimo de mícron é o tamanho de um glóbulo vermelho do sangue humano.

O campo gravitacional lunar é o mais irregular do sistema solar, de acordo com a Nasa. A gravidade da Lua tem cerca de um sexto da terrestre.

Quando sua missão acabar, no fim do primeiro semestre de 2012, as sondas estarão a 16 quilômetros da superfície lunar e deverão cair na Lua. Além dos instrumentos científicos, as naves estão levando uma câmera de vídeo digital, que transmitirá imagens a escolas do mundo todo. Esta é o segundo lançamento de sondas espaciais da Nasa desde o fim do programa do ônibus espacial em julho. A sonda Juno foi enviada a Júpiter em 5 de agosto passado.

(Com informações da AP e da Reuters)

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