Nasa descobre, no espaço, substâncias que compõem DNA

Análise do solo onde meteoritos foram encontrados descarta a hipótese de contaminação terrestre

iG São Paulo |

Nasa
Na ilustração, meteorito apresenta grande variedade de substâncias de DNA
Pesquisadores da agência espacial americana acharam provas de substâncias de DNA em meteoritos que foram criados no espaço. Os pesquisadores defendem a teoria de que um “kit” de partes prontas e criadas no espaço  vieram parar na Terra por meio de meteoritos e cometas.

“Componentes de DNA vêm sendo descobertos em meteoritos desde os anos 1960, mas pesquisadores tinham dúvidas se eles eram realmente criados no espaço ou se vinham por contaminação de vida terrestre”, disse Michael Callahan do Centro Espacial Goddard, da Nasa. “Pela primeira vez, temos provas nos dão a certeza de que estes compostos de DNA foram de fato criados no espaço”, disse Callahan, autor do estudo publicado nesta segunda-feira (8) no periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences .

De acordo com a Nasa, a descoberta contribui para o número crescente de provas de que a química dentro de asteroides e cometas é capaz de trazer componentes de moléculas biológicas essenciais. Anteriormente, cientistas do Centro Espacial Goddard descobriram aminoácidos em amostras do cometa Wild 2 da Nasa, além de vários meteoritos ricos em carbono. vale destacar que aminoácidos formam proteínas, moléculas essenciais à vida. Eles estão presentes em tudo, desde estruturas capilares até enzimas - catalisadores que aceleram ou regulam reações químicas.

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No novo estudo, a equipe Goddard coletou doze amostras de meteoritos ricos em carbono, nove dos quais foram retirados da Antártida. A equipe descobriu adenina e guanina - componentes de DNA chamados de nucleobases. O DNA tem o formato parecido ao de uma escada em espiral, a adenina e a guanina se conectam com outros dois nucleobases para formar os “degraus da escada”.

Além disso, os pesquisadores identificaram em dois meteoritos, pela primeira vez, traço de três moléculas relacionadas com nucleobases: purina, 2,6-diaminopurina, e 6,8-diaminopurina; os dois últimos quase nunca são usados em biologia. De acordo com o estudo, estes compostos têm o mesmo núcleo molecular que nucleobases, mas com estruturas adicionadas ou removidas.

Eles foram a primeira prova de que os compostos nos meteoritos vieram do espaço e não por contaminação terrestre. “Não é esperado ver estes análogos de nucleobase por contaminação terrestre, pois eles não são usados em biologia”, disse Callahan.

Para descartar a possibilidade de contaminação terrestre, a equipe também analisou 21,4 quilos da amostra de gelo da Antártida, onde a maioria dos meteoritos no estudo foi encontrada. As nucleobases encontradas no gelo eram muito menores - partes por trilhão - do que aquelas presentes nos meteoritos e nenhum dos análogos de nucleobase foram detectados nas amostras de gelo.

Um dos meteoritos caiu na Austrália, e a equipe também analisou uma amostra de solo. Assim como acontece com as amostras de gelo, não havia nenhuma das moléculas analógicas de nucleobase no solo da Austrália.

Trinta novos projetos
Nesta segunda-feira (8), a Nasa também anunciou o financiamento de 30 novos projetos, entre eles como proteger os astronautas da radiação no espaço, como eliminar os dejetos espaciais e como melhorar a tecnologia espacial.

Cada uma das propostas receberá 100.000 dólares de financiamento durante o período de um ano no âmbito do NIAC (Instituto de Conceitos Avançados da Nasa. "Estes conceitos inovadores têm o potencial de se tornar a capacidade transformadora que a Nasa precisa para melhorar nossas operações atuais de missões espaciais, semeando os avanços de tecnologia necessários para as desafiadoras missões espaciais no futuro da Nasa", disse o chefe de tecnologia da agência, Bobby Braun.

Outros projetos incluem o uso de tecnologia tridimensional de impressão para criar um posto avançado planetário e uma pesquisa sobre várias formas de combustível para futuras missões de exploração, entre elas, a energia solar e a nuclear.

O NIAC operou de 1998 a 2007 como um fórum independente "para complementar as atividades de conceitos avançados realizadas no âmbito da Nasa", destacou a agência espacial.

Os trabalhos do instituto foram suspensos para uma revisão em 2008 e foram restabelecidos no ano fiscal de 2011 "para pesquisar conceitos avançados visionários e de longo alcance, como parte da missão da agência".

(com informações da AFP)

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