Monitoramento da agência espacial americana indica que UARS está desacelerando e deve cair entre às 22h e 4h da manhã

Ilustração conceitual do UARS: satélite desativado vai se quebrar em vários pedaços na reentrada
Nasa
Ilustração conceitual do UARS: satélite desativado vai se quebrar em vários pedaços na reentrada
Novas medições do satélite UARS (sigla em inglês para Satélite de Pesquisa da Alta Atmosfera), que está prestes a reentrar na atmosfera terrestre, mostram que o dispositivo está se desacelerando e alterando sua rota e não deve cair na Terra antes da noite desta sexta-feira (23) ou na manhã de sábado (24), de acordo com um comunicado da Nasa divulgado nesta tarde. Já o site da entidade Aerospace Corporation, que rastreia lixo espacial, afirma que a queda acontecerá entre as 22h e 4h da manhã de sábado, no horário de Brasília.

Embora ainda não consiga estabelecer o local do impacto, a agência espacial americana diz que são baixas as probabilidades do satélite cair sobre a América do Norte. Não há informações precisas sobre outros continentes, apesar da agência espacial russa ter afirmado na quarta-feira (21) que os destroços cairiam no mar perto de Papua Nova Guiné . Imagina-se que os destroços possam se espalhar num raio de até 800 quilômetros em relação ao ponto de impacto.

A probabilidade de algum dos restos do UARS atingir uma pessoa é de uma em 3.200, segundo a Nasa. Para comparação, estima-se que o risco de uma pessoa que viva até os 80 anos ser atingida por um raio é de 1 em 10 mil. Além disso, são grandes as chances dos pedaços do satélite se despedaçarem no mar.

O aparelho pesa 5,675 toneladas e tem o tamanho de um ônibus.

A previsão inicial era que o satélite cairia no final de setembro ou no início de outubro, mas sua queda foi antecipada pelo forte aumento da atividade solar na semana passada. Mas os ventos solares diminuiram nas últimas horas, o que desacelerou a queda do UARS.

Os cientistas da Nasa calculam que o satélite se despedaçará ao entrar na atmosfera e que pelo menos 26 grandes peças sobreviverão às altas temperaturas do reingresso e cairão sobre a superfície da Terra.

O satélite voa sobre boa parte do planeta, entre 57 graus a norte e 57 graus ao sul da linha do Equador.  Ele foi colocado em órbita pelo ônibus espacial Discovery em 1991 para estudar o ozônio e outros componentes químicos na atmosfera da Terra. Ele completou sua missão em 2005 e vem, desde então, lentamente perdendo altitude, puxado pela gravidade. Veja mais no vídeo:




Caso não consiga ver o vídeo, clique para assistir na TV iG: Pedaços de satélite podem cair sobre a Terra

Evento corriqueiro
Segundo Jonathan McDowell, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, nos Estados Unidos, pedaços de foguetes e satélites voltam à Terra todos os anos, sem nenhum dano. Ele lembrou que só este ano dois grandes pedaços de foguetes russos já caíram na Terra, sem grandes repercussões. As chances dele atingir alguém são muito pequenas. Eu não me preocuparia," disse à AP. Não há registros de pedaços de lixo espacial machucando pessoas ou danificando propriedades.

Em 1991, quando o UARS foi lançado, a Nasa não se preocupava ainda com o destino de satélites quando estes fossem desativados. Atualmente, todo equipamento espacial é projetado ou para se queimar completamente na reentrada atmosférica ou para ter combustível suficiente para ser manobrado com segurança  de volta à Terra ou ao espaço sideral. Isso inclui a Estação Espacial Internacional, que deve ser desativada por volta de 2020.

Mesmo a antiga estação russa Mir caiu no Pacífico com segurança, em 2001. Mas sua predecessora, a Salyut 7, caiu sem controle em 1991. O último retorno de satélite sem nenhum tipo de manobra da Nasa foi em 2002.

O caso mais famoso de queda sem controle foi da estação experimental Skylab em 1979, da Nasa, que gerou milhares de apostas sobre onde ela iria cair, para no fim despencar no Oceano Índico e em partes remotas da Austrália.

(Com informações das agências de notícias)

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