Museu britânico suspende expedição no Paraguai

Segundo as ONGs, havia expedição para estudar a biodiversidade na região do Chaco Seco poderia encontrar tribo indígena isolada

BBC Brasil |

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O Museu de História Natural de Londres suspendeu seus planos para uma expedição a uma área remota do Paraguai após protestos de ONGs, que temiam que ela perturbasse uma das últimas tribos indígenas sem contato humano.

Segundo as organizações, havia uma grande possibilidade de a expedição para estudar a biodiversidade na região do Chaco Seco encontrar a tribo isolada Ayoreo.

O contato com outros seres humanos poderia infectar os índios com doenças que poderiam provocar sua extinção.

A expedição, com uma centena de membros, deveria partir nos próximos dias em busca de novas espécies de plantas e insetos.

O Museu de História Natural disse que a viagem será adiada enquanto seus parceiros na pesquisa, o Ministério do Meio Ambiente do Paraguai, realiza consultas com representantes de organizações indígenas.

Representantes do museu disseram que as preocupações da instituição com as tribos isoladas eram “extremamente sérias”.

Em uma carta ao Museu de História Natural, a ONG Iniciativa Amotocodie (IA) questionou o equilíbrio entre as necessidades de pesquisa e os riscos a comunidades indígenas.

Benno Glauser, diretor da IA, disse à BBC que qualquer contato com as tribos poderia ter "consequências fatais".

O diretor da ONG Survival International, que defende os direitos dos povos indígenas, disse que as tribos com frequência pensam que as pessoas de fora são hostis, e qualquer encontro inesperado pode ser violento.

Mas ele não sugeriu que a expedição seja abandonada. Ele acha que a viagem deveria ser transferida para uma outra área do Chaco.

Biodiversidade
O museu afirmou ainda que a expedição para registrar a rica biodiversidade da região do Chaco Seco é importante para a futura administração do frágil ecossistema da região.

A viagem é uma das mais longas que o museu já organizou em muitos anos.

O Chaco Seco, uma região semi-árida, de baixa altitude, se estende pela Argentina, Bolívia e Brasil.
É a única região do continente fora da Amazônia na qual se acredita haver tribos isoladas do contato humano.

Antropólogos estimam que há cerca de 150 índios Ayoreos em seis ou sete grupos vivendo de maneira tradicional na região, sobrevivendo da caça e da coleta de alimentos.

Os grupos nômades vivem em isolamento voluntário, rejeitando qualquer contato com a sociedade exterior.
Centenas de outros Ayoreos deixaram a área nos últimos anos, conforme a vegetação natural da região foi sendo removida por agricultores e criadores de gado.

Foi por meio desses Ayoreos aculturados que se conheceu a existência dos grupos de indígenas isolados e do fato de que eles rejeitam o contato externo.

Antropólogos e ativistas pelos direitos indígenas temem que o contato acidental com a expedição do Museu de História Natural poderia colocar os Ayoreo sob o risco de doenças que poderiam matá-los ou de mudar drasticamente seu estilo de vida.

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