Mundo armazena 295 trilhões de megabytes em um ano

Pesquisadores calcularam a quantidade de informações acumuladas em 2007 que criaria uma pilha de CDS que ultrapassaria a Lua

Alessandro Greco, especial para o iG |

Getty Images
A quantidade de informação armazenada no mundo em 2007 seria o equivalente a 61 CDs para cada habitante do planeta
Excesso de informação é algo possível de medir? Dois pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia decidiram que sim, e calcularam a quantidade de dados armazenados pela humanidade apenas no ano de 2007: 295 trilhões de megabytes de dados.

Para se ter uma ideia deste volume, esses 295 trilhões de megabytes  encheriam 404 bilhões de CDs, ou seja, 61 CDs para cada habitante do planeta; e colocá-los um em cima do outro criaria uma pilha de cerca de 475 milhões de quilômetros, o equivalente a 1,25 vezes a distância da Terra à Lua.

Esse valor também é 315 vezes maior que o número de grãos de areia existentes no planeta, e se cada unidade de informação fosse uma estrela, isso significaria que cada habitante da Terra teria uma galáxia de informação a seu dispor.

“Por um lado estes números são enormes, mas comparado ao que a mãe natureza faz somos humildes aprendizes”, afirmou ao iG Martin Hilbert, um dos autores do estudo. E completou: “As moléculas de DNA de um ser humano adulto armazenam 305 vezes mais informação do que todos os nossos sistemas de armazenagem de dados juntos”.

A pesquisa, publicada nesta quinta (10), no periódico especializado Science, também calculou números como a quantidade de informações transmitidas de forma unidirecional (em que a pessoa apenas recebe a informação, não envia ). Em 2007, o número foi de cerca de 2 quadrilhões de megabytes, o equivalente a cada habitante da Terra recebendo dados de 174 jornais por dia.

O início da era digital, conforme o estudo, foi em 2002. Foi neste ano em que os meios digitais superaram mundialmente os analógicos na armazenagem de informação. Em 2007, cerca de 94% de toda a memória do mundo está em formato digital.

Os pesquisadores também descobriram que os computadores de todo mundo calcularam 6,4 x 10 18  (ou 6,4 quintilhões) unidades de informação por segundo em 2007, o equivalente ao número de impulsos nervosos em um único cérebro humano. Se esses cálculos fossem feitos à mão, demorariam 2.200 vezes o período desde o início do Universo, conhecido como Big Bang.

Números em crescimento, armazenamento também
O mais interessante, no entanto, talvez seja o fato de que o crescimento desses números se manteve estável ao longo do tempo segundo os pesquisadores. “Fizemos estas estimativas para as duas últimas décadas e estamos bastante seguros que a taxa média de crescimento são estáveis”, afirmou Hilbert.

Na análise, eles mostraram que a capacidade de armazenamento dobra a cada 3 anos e 4 meses. Ou seja: atualmente ela deve estar em 600 trilhões de megabytes. Um dado fundamental pois a capacidade dos computadores tem dobrado em um período menor, a cada 18 meses. “O lado bom, como mostramos, é que a capacidade computacional está crescendo mais rápido que nossa capacidade de armazenamento e transmissão. Isso me deixa bastante seguro de que encontraremos soluções para garantir que nossos amigos artificiais [os computadores] nos ajudem a lidar com a bagunça criada por eles”, comentou Hilbert.

Um exemplo da ajuda dada pelos computadores para resolver um problema criado por eles mesmos é o sistema de e-mail. “Há cinco anos sua caixa de e-mail estava lotada de SPAM. Hoje você é muito azarado se recebe mais que um punhado de SPAM por semana em sua caixa postal”, explicou Hilbert, se referindo aos filtros de lixo eletrônico que vários sistemas dispõem atualmente.

Mas será que é existe um limite para a quantidade de informações que os humanos conseguem processar? “É difícil enxergar um limite. Compare a quantidade de informações com que lidamos com a que nossos bisavós lidavam. Com sorte, eles liam cerca de 50 livros e mandavam uma centena de cartas durante toda uma vida. Atualmente uma criança de 6 anos já assistiu a dezenas de filmes, participou de video-conferências etc. O cérebro humanos […] é muito plástico e parece se adaptar bem [a estas situações]”, explicou Hilbert.

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