Pessoas com baixo nível de serotonina consideraram imagens menos íntimas do que voluntários com taxa normal da substância

Pessoas com pouca serotonina viram menos romantismo em fotos de casais
Getty Images
Pessoas com pouca serotonina viram menos romantismo em fotos de casais
As avaliações que fazemos sobre intimidade e romantismo parecem ser afetadas pelo neurotransmissor serotonina, indica um estudo recente. A serotonina é uma molécula usada na comunicação entre as células do cérebro, os neurônios, e desequilíbrios envolvendo essa substância estão ligados a quadros como depressão e ansiedade.

Para chegar à ligação entre serotonina e romantismo, pesquisadores apresentaram fotografias de casais a voluntários saudáveis que tiveram o nível da substância no cérebro reduzido. Esses voluntários viram menos intimidade e romantismo nas imagens do que o grupo de controle, que manteve níveis normais do neurotransmissor.

O trabalho está publicado no periódico Biological Psychiatry .

A abordagem envolveu dar aos dois grupos de voluntários bebidas à base de aminoácidos, a fim de manipular a concentração sanguínea do triptofano, um ingrediente fundamental para a síntese da serotonina. Um dos grupos recebeu bebidas com triptofano, e o outro, sem o aminoácido.

Em seguida, pediu-se aos integrantes de ambos os grupos que analisassem fotos de casais.

“A serotonina é importante para o comportamento social, mas também desempenha um papel importante em distúrbios como a depressão”, explicou, por meio de nota, o pesquisador Robert Rogers, da Universidade Oxford, que encabeçou o estudo. “Queríamos ver se a serotonina influencia o julgamento que fazemos sobre os relacionamentos dos outros”.

Consistentemente, os voluntários sem triptofano na bebida consideraram os casais nas fotos menos “íntimos” e menos “românticos” que os voluntários que tinham ingerido o ingrediente.

“O mesmo padrão pode valer para a percepção que temos de nossos próprios relacionamentos”, acrescentou Rogers.

Os autores do estudo advertem que mais estudos são necessários antes que uma “droga da intimidade” possa chegar ao mercado. O editor da Biological Psychiatry , John Crystal, lembrou que uma capacidade reduzida de sentir intimidade é um sintoma de muitos distúrbios psiquiátricos.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.