Nova teoria explica assimetria do satélite natural da Terra, que seria causada por colisão de outro corpo celeste

Ilustração mostra evolução da colisão das duas luas, e como a pequena teria sido agregada à maior
Nature
Ilustração mostra evolução da colisão das duas luas, e como a pequena teria sido agregada à maior
A topografia da Lua sempre intrigou os cientistas. Em especial, a assimetria entre o lado distante (ou oculto) dela  - que possui um calombo - e o lado que pode ser visto da Terra. Um novo estudo mostra que o mistério da assimetria do satélite pode ser explicado por uma colisão da Lua, há 4,4 bilhões de anos, com uma outra lua menor em baixa velocidade, na qual o satélite maior teria incorporado o menor.

Feito com base em simulações computacionais, o resultado do estudo publicado nesta quarta (3) no periódico científico Nature surpreendeu os autores Martin Jutzi, da Universidade de Berna, na Suíça, e Erik Asphaug, da Universidade da California em Santa Cruz, Estados Unidos.

“Ficamos um pouco surpresos com o fato de nossas simulações terem mostrado que uma colisão em velocidade tão baixa levou a uma acreção [adição da lua menor à Lua] e não à formação de uma cratera”, afirmou Jutzi ao iG . A simulação explica também a diferença de composição entre os hemisférioslunares,  mostrando ainda que o impacto levaria o magma da Lua para o lado oposto, região que tem uma alta concentração de potássio, fósforo e elementos terras-raras perto da crosta.

A hipótese de que o calombo possa ter sido formado a partir da colisão foi levantada pelos pesquisadores a partir do estudo dos mapas de topografia e também da espessura da crosta lunar. “A partir deles percebemos que o lado distante se parece com algo como uma outra lua que poderia ter sido acretada”, explicou Jutzi.

A tese da dupla é que a lua menor foi criada na mesma época da Lua e dividiu a órbita com ela por milhões de anos antes da colisão. O próximo passo da pesquisa, segundo ele, será comparar o modelo com novos dados de futuras missões espaciais para checar se ele é realmente válido. “Outra possibilidade é fazer um estudo mais detalhado de como seria a dinâmica de um sistema de duas luas girando ao redor da Terra”, completou Jutzi.

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