Modelo matemático indica que Terra pode ter tido duas Luas

Nova teoria explica assimetria do satélite natural da Terra, que seria causada por colisão de outro corpo celeste

Alessandro Greco, especial para o iG |

Nature
Ilustração mostra evolução da colisão das duas luas, e como a pequena teria sido agregada à maior
A topografia da Lua sempre intrigou os cientistas. Em especial, a assimetria entre o lado distante (ou oculto) dela  - que possui um calombo - e o lado que pode ser visto da Terra. Um novo estudo mostra que o mistério da assimetria do satélite pode ser explicado por uma colisão da Lua, há 4,4 bilhões de anos, com uma outra lua menor em baixa velocidade, na qual o satélite maior teria incorporado o menor.

Feito com base em simulações computacionais, o resultado do estudo publicado nesta quarta (3) no periódico científico Nature surpreendeu os autores Martin Jutzi, da Universidade de Berna, na Suíça, e Erik Asphaug, da Universidade da California em Santa Cruz, Estados Unidos.

“Ficamos um pouco surpresos com o fato de nossas simulações terem mostrado que uma colisão em velocidade tão baixa levou a uma acreção [adição da lua menor à Lua] e não à formação de uma cratera”, afirmou Jutzi ao iG . A simulação explica também a diferença de composição entre os hemisférioslunares,  mostrando ainda que o impacto levaria o magma da Lua para o lado oposto, região que tem uma alta concentração de potássio, fósforo e elementos terras-raras perto da crosta.

A hipótese de que o calombo possa ter sido formado a partir da colisão foi levantada pelos pesquisadores a partir do estudo dos mapas de topografia e também da espessura da crosta lunar. “A partir deles percebemos que o lado distante se parece com algo como uma outra lua que poderia ter sido acretada”, explicou Jutzi.

A tese da dupla é que a lua menor foi criada na mesma época da Lua e dividiu a órbita com ela por milhões de anos antes da colisão. O próximo passo da pesquisa, segundo ele, será comparar o modelo com novos dados de futuras missões espaciais para checar se ele é realmente válido. “Outra possibilidade é fazer um estudo mais detalhado de como seria a dinâmica de um sistema de duas luas girando ao redor da Terra”, completou Jutzi.

    Leia tudo sobre: astronomiaespaçolua

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG