Mistério: série de terremotos ocorreu há 200 anos nos EUA

Tremores na região central da placa tectônica da América do Norte aconteceram em área onde solo deveria ser estável

The New York Times |

Um violento enxame de terremotos abalou a região central dos Estados Unidos há dois séculos, e continua sendo um mistério como tais tremores poderiam ter ocorrido ali, no meio da placa tectônica da América do Norte – onde o solo deveria ser estável.

Na edição atual da revista “Nature”, pesquisadores sugerem que os terremotos foram essencialmente desencadeados no fim da última era do gelo, milhares de anos antes.

Num período de três meses a partir de dezembro de 1811, três fortes terremotos, com magnitude estimada em 7 pontos ou mais, e muitos tremores menores, atacaram a zona sísmica de New Madrid, no sudeste do Missouri e noroeste do Tennessee, quase na metade do caminho entre St. Louis e Memphis. Os terremotos ocorreram longe das usuais fronteiras tectônicas propensas a terremotos. Medições modernas por GPS contribuíram ainda mais ao mistério, por não mostrarem sinais de que o solo esteja se alterando ou acumulando deformações.

Os pesquisadores disseram que a deformação, na verdade, surgiu há muito tempo, quando o meio-oeste foi espremido pela elevação das Rochosas e pela abertura do Oceano Atlântico. Em seguida, a deformação congelou nas rochas quando o movimento cessou, há dezenas de milhões de anos. Novos tremores tiveram início há cerca de 10 mil anos, não muito tempo após o derretimento dos lençóis de gelo no final da idade do gelo, que varreu uma faixa de sedimentos da bacia superior do Rio Mississipi. Esses tempos, segundo os cientistas, não foram coincidência.

Com os sedimentos removidos, a crosta menos pesada se dobrou para cima, esticando as camadas superiores o bastante para desprender as falhas antigas.

“A remoção dos sedimentos é um pequeno gatilho, um pequeno empurrão, a última gota num balde que você precisa para fazer a falha se mover, e então você tem um terremoto”, disse Eric Calais, professor de geofísica na Purdue e principal autor do artigo da “Nature”.

Sem novas deformações se formando, uma falha que se quebrou para gerar um dos maiores terremotos não tem muitas chances de se quebrar novamente. “Porém”, disse Calais, “a falha ao lado dela ainda pode”.

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