Meteorito revela segredo sobre nascimento do Sistema Solar

Cientistas descobriram que meteorito tinha excesso de cromo-54, rastro da explosão estelar pouco antes do aparecimento do Sol

AFP |

Um meteorito que caiu no povoado de Orgueil, no sudoeste da França, em 1864 acaba de revelar um segredo sobre a explosão de uma estrela um pouco antes do aparecimento do Sistema Solar.

Uma equipe internacional, chefiada por Nicolas Dauphas (Universidade de Chicago, Estados Unidos), e da qual faz parte o francês Laurent Remusat (Centro Nacional de Pesquisas Científicas/Museu Nacional de História Natural de Paris) conseguiu identificar os rastros deixados pela supernova no meteorito de Orgueil.

A explosão de estrelas no final de sua vida enriquece o meio interestelar com elementos químicos criados por reações nucleares em seu centro ou em sua explosão derradeira (supernova).Graças a estes vestígios de elementos descobertos em meteoritos, mas não na Terra, os cientistas descobriram há 40 anos que uma estrela explodiu, provavelmente, há 4,5 bilhão de anos, provavelmente dando origem ao Sol, lembraram a Universidade de Chicago e o Museu de História Natural em comunicados.

Mas o excesso de um determinado tipo de cromo (isótopo) em alguns meteoritos continua sem explicação. Após ter analisado quase 1.500 grãos do meteorito de Orgueil, Remusat e Dauphas encontraram uma nanopartícula muito rica no cromo-54. A abundância deste isótopo demonstra que ete grão de matéria existia antes da formação do Sistema Solar, segundo os pesquisadores, cujos resultados foram publicados, esta sexta-feira, na revista científica americana The Astrophysical Journal .

Uma vez disseminadas pela supernova na nuvem de gás e de poeira que deu origem ao Sistema Solar, as finas partículas se juntaram em função de seu tamanho, durante o processo de formação do Sol, dos planetas e dos meteoritos. Isto explica o excesso de cromo-54 no meteorito de Orgueil, mas não na Terra.

Para analisar as nanopartículas de menos de 0,1 mícron de diâmetro, isto é, mil vezes mais finas que um fio de cabelo, os pesquisadores usaram uma nanosonda iônica (NanoSIMS 50L), instalada no Instituto Tecnológico da Califórnia. Os grãos também foram estudados em microscópio eletrônico na Universidade de Lille (norte da França).Novas análises ajudarão a determinar que tipo de supernova permitiu a formação dos grãos ricos em cromo-54.

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