Zoológicos podem garantir sobrevivência de espécies ameaçadas

Pesquisadores acreditam que reprodução em cativeiro promovida por instituições deve ter papel mais ativo na conservação

Alessandro Greco, especial para o iG |

O nascimento de dois filhotes de gatos de pata preta africano em Nova Orleans, em fevereiro, mereceu comemoração dupla: os gatinhos foi a primeira de sua espécie (que está ameaçada de extinção) a nascer de um embrião congelado e veio ao mundo pelas mãos da equipe do Instituto da Natureza Audubon, nos Estados Unidos. Os embriões ficaram quase seis anos congelados antes de serem implantados na mãe de aluguel, uma gata doméstica chamada Bijou. O pai dos bichanos, Ramsés, teve os espermatozóides coletados em 2003 e a mãe, Zora, os óvulos em 2005, época em que foi feita a fertilização in vitro e o congelamento dos embriões.

A importância da Institutos como o Audubon, que tem um zoológico e um aquário, e reproduz espécies em cativeiro deve ser cada vez maior como ferramenta para mantê-las vivas. “A reprodução em cativeiro é uma ferramenta de conservação da qual necessitamos, é uma solução de curto prazo, mas não deve ser negligenciada e deveria ser implementada antes que certas espécies cheguem ao ponto em que garantir sua existência seja impossível”, afirmou ao iG Dalia Conde, do Instituto Max Planck, uma das autoras de um artigo sobre o tema publicado há duas semanas no periódico científico Science. Atualmente, segundo o texto, uma em cada sete espécies ameaçadas de extinção podem ser encontradas em um zoológico ou aquário, o que facilita tomar as ações necessárias para a reproduzi-las.

Um exemplo da importância do trabalho dos zôos está na crise atual pela qual passam atualmente os anfíbios. Ela chegou a um ponto em que os especialistas da IUCN (sigla em inglês para União Internacional para Conservação da Natureza, entidade responsável por listar animais em extinção) pediram aos zoos de todo mundo para implementar programas de procriação em cativeiro.

Tomar esta atitude, no entanto, não significa diminuir os programas de conservação dos habitats naturais. “Organizações de conservação e outras instituições podem estar pensando que ao incluir a reprodução em cativeiro em seus programas a sociedade irá relaxar na conservação das áreas naturais, o que é uma preocupação relevante. E a reprodução em cativeiro também é vista como uma atitude desesperada”, explica Dalia. Mas nem sempre o pensamento foi este segundo ela. “No final da década de 1980, os conservacionistas viam a reprodução em cativeiro como uma solução chave, depois no meio da década de 1990 eles passaram a olhar mais para os ecossistemas e menos para as espécies. Por exemplo, a WWF (World Wildlife Fund) mudou seus programas de conservação de espécies para uma abordagem de preservação das ecotregiões. Os zoológicos também passaram a implementar programas para conservar espécies em seus habitats naturais. Atualmente eles são a terceira maior instituição em projetos de conservação, atrás apenas das ONGs WWF e da The Nature Conservancy".

A divulgação das imagens dos animais também é uma ferramenta que pode ajudar na conservação, segundo os criadores de um site dedicado a noticiar nascimentos de animais em zoológicos no mundo inteiro, o Zooborns . “Em geral, procuramos [para publicar] grandes histórias de conservação. O Zooborns é muito mais do que um local para colocarmos um sorriso no rosto dos nossos leitores. O que buscamos fazer é criar empatia por espécies ameaçadas pelos humanos. Queremos inspirar as pessoas a proteger esses animais incríveis”, disseram ao iG os criadores do site, Chris Eastland, um fotógrafo de Nova York, e Andrew Bleiman, um apaixonado por conservação animal, de Chicago.

O site é rigoroso também na hora de escolher as imagens para serem divulgadas, que já viraram livro. “Todas as imagens de animais que aparecem no site vêm de instituições credenciadas pela Association of Zoos and Aquariums (caso seja da América do Norte), European Association of Zoos and Aquariums (caso seja da Europa) ou pela World Association of Zoos and Aquariums (no resto do mundo).”, completaram Eastland e Bleiman.

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