Vazamento do Golfo do México completa três meses

Após 90 dias, investigações sobre o que ocasionou o maior desastre ambiental dos EUA continuam inconclusivas

iG São Paulo |

Um acidente na plataforma de petróleo Deepwater Horizon no dia 20 de abril iniciou o maior desastre ambiental dos Estados Unidos. Três meses depois, pouca coisa está clara e quase nada ainda foi comprovado. Até agora a BP, empresa responsável pela plataforma, já gastou cerca de US$ 4 bilhões para tentar extinguir o vazamento, limpar a região e pagar indenizações. Onze funcionários da plataforma morreram e mais de cem tiveram que ser resgatados.

A maré negra atingiu todos os estados americanos banhados pelo Golfo do México. O óleo chegou ao delta do Rio Mississipi e as áreas de conservação dos pântanos da Lousiania foram atingidas, assim com as praias da Flórida, Alabama e Nova Orleans.

As vítimas
A dramática imagem de animais cobertos por petróleo se tornou comum nos noticiários. Milhares de animais foram encontrados mortos. Até agora, é impossível mensurar o que se perde em um desastre deste tamanho, entre perdas econômicas e ambientais. Veja, na galeria abaixo, alguns dos animais vítimas do vazamento e os esforços para salvá-los.



Leia mais:
O maior desastre da história
O que teria acontecido
As sucessivas tentativas de conter o vazamento
Infográfico: Veja a evolução da mancha de óleo no Golfo do México
Leia a cobertura completa do iG

O maior desastre da história

O maior desastre ambiental americano surpreende em números. Primeiramente o vazamento foi estimado em mil barris de petróleo por dia. No dia 28 de abril, oficiais do governo falaram que o poço apresentava três vazamentos e que estava derramando mais de 5 mil barris por dia (um barril equivale a 42 litros). Mas logo cientistas e grupos ambientalistas começaram a questionar as estimativas.

No dia 27 de maio, cientistas governamentais apresentaram um novo número: vazamento variava de 12 mil a 25 mil barris por dia. Logo depois, a estimativa cresceu de 25 mil para 30 mil barris ao dia. Em 15 de junho, o governo americano declarou que o desastre correspondia a mais de 60 mil barris por dia que jorravam pelo Golfo do México.

O que teria acontecido
Três meses depois do acidente, as autoridades americanas ainda investigam os reais motivos do desastre. Ainda não se chegou a uma conclusão sobre o que realmente causou a explosão e o vazamento.

Segundo documento anônimo que circulou pelo meio petrolífero logo após o acidente, e ao qual o iG teve acesso , o vazamento de petróleo ocorreu devido a uma falha técnica associada a erro humano. Óleo ou gás teriam entrado no revestimento da tubulação do poço, e a tripulação teria demorado a acionar os equipamentos de segurança, que impediriam o erro que acabou por provocar o incêndio.

Investigadores do Congresso Americano afirmaram que a BP teve três sinais de problemas na plataforma uma hora antes do acidente. Testemunhas afirmaram que o poço estava jorrando líquido e testes de pressão indicaram que uma “anormalidade muito grande” estava acontecendo na plataforma.

O poço soltou fluido por três vezes nos 51 minutos antes do incêndio e a pressão no cano de perfuração “cresceu inesperadamente” antes da explosão, de acordo com o memorando divulgado pela Comissão de Energia e Comércio do Congresso Americano. A investigação da BP também levantou suspeitas sobre as condições do blowout preventer, um equipamento de segurança que não conseguiu fechar a cabeça do poço.

Em entrevista à BBC, no dia 25 de maio, Tyrone Benton, funcionário da plataforma, afirmou que, apesar do aviso de vazamento dado pelo equipamento de segurança, os responsáveis pela plataforma decidiram simplesmente desligar o aparelho de segurança em vez de consertá-lo. Um segundo equipamento foi acionado.

Outro funcionário da BP, disse em depoimento, no dia 19 de julho que a empresa usou uma forma incomum de testar o dispositivo crítico de emergência que falhou no dia da explosão.

O especialista em perfuração líquida, Leo T. Lindner, disse em audiência governamental, que a BP deu a ele a permissão de usar um montante exagerado do fluido, chamado “spacer”, durante procedimento dos testes do blowout preventer (equipamento de segurança usado para fechar o poço).

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG