Vazamento de petróleo pode ser o dobro de estimativas anteriores

O vazamento pode ter chegado a 40 mil barris de petróleo por dia. BP diz que está conseguindo captar 15 mil barris diariamente

BBC Brasil |

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Vista aérea de uma mancha espessa de óleo em Gulf Shores, Alabama, ao norte do ponto de vazamento da Deepwater Horizon
Novos dados divulgados nesta quinta-feira pela US Geological Survey, ligada ao governo americano, indicam que o vazamento de petróleo na costa dos EUA chegou a 40 mil barris de petróleo por dia, mais que o dobro de várias estimativas anteriores.

Segundo os dados do órgão, este volume pode ter sido alcançado antes de a BP, a empresa que operava a plataforma, conseguir desviar o petróleo vazado através de um funil, no dia 3 de junho.

Veja o infográfico da evolução da mancha de petróleo no Golfo do México

A BP diz que está conseguindo desviar e recolher em navios mais de 15 mil barris por dia. O professor de oceanografia da Florida State University, Ian McDonald, disse que a BP subestimou o volume de vazamento e que essa diferença pode ter tido grande impacto negativo na escala da operação de limpeza organizada pela petroleira.

"Eles subestimaram a taxa de vazão e superestimaram a sua capacidade de conter aquela taxa com o procedimento de top-kill", disse McDonald. "Depois eles mudaram e tentaram recuperar o óleo com este funil gigante. Mas 15 mil barris por dia claramente não é sequer a metade do petróleo que está vazando."

O óleo está vazando de um poço danificado a 1,5 mil metros de profundidade no Golfo do México desde a explosão da plataforma Deepwater Horizon, no dia 20 de abril, em um incidente que matou 11 trabalhadores.

Segundo a BP, na quarta-feira, um sistema de captação do petróleo derramado conseguiu coletar 15,8 mil barris, volume pouco superior aos 15 mil barris que a empresa diz ter coletado no dia anterior.

Ataques
Em meio ao descontentamento em relação às medidas que estão sendo tomadas, o presidente da petroleira British Petroleum (BP), Carl-Henric Svanberg, se encontrará com o presidente americano, Barack Obama, na Casa Branca na próxima semana.

A presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, disse que houve "falta de integridade" por parte da BP, responsável pela operação de uma plataforma que explodiu em abril, provocando vazamento de petróleo no Golfo do México.

"Está claro que houve falta de integridade por parte da BP em relação ao que nos informou sobre a adequação de sua tecnologia, de seus recursos para prevenção de explosões e de sua capacidade de limpeza", disse a democrata, após uma reunião na Casa Branca com o presidente, Barack Obama, e com lideranças do Congresso.

Ao ser questionada sobre se a BP deveria suspender o pagamento de dividendos a seus acionistas até garantir que as vítimas do vazamento de petróleo serão compensadas por suas perdas financeiras, Pelosi disse que sim. "Eles faturaram US$ 17 bilhões no ano passado. Eles deveriam pagar esses pequenos comerciantes primeiro", afirmou. Na quinta-feira, as ações da petroleira britânica registraram queda de 6,6% na Bolsa de Londres.

Retórica anti-britânica
Em meio a temores de que também a relação entre Estados Unidos e Grã-Bretanha possa ser afetada pelo incidente, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, deverá discutir a questão com Obama neste fim de semana.

Entretanto, um porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley, minimizou a suposta "retórica anti-britânica" nos Estados Unidos e garantiu que o incidente não vai afetar as relações entre os dois países. "A BP é uma empresa privada", disse o porta-voz. "Isso (o desastre) não interfere no relacionamento entre os Estados Unidos e seu aliado mais próximo."

Na próxima segunda-feira, Obama fará sua quarta visita ao Golfo desde o início do vazamento, em mais um esforço para rebater as críticas quanto à reação do governo diante do desastre. Cinco Estados americanos foram atingidos pela mancha de petróleo, e o vazamento já é considerado o pior desastre ambiental da história do país. Nesta quinta-feira, Obama recebeu na Casa Branca familiares dos 11 funcionários que morreram na explosão.

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