Vazamento de óleo atinge indústria de frutos do mar

Pesca está proibida durante pelo menos dez dias na região do Golfo do México

iG São Paulo |

O vazamento de óleo da plataforma de petróleo Deepwater Horizon, no Golfo do México, já prejudica o setor de restaurantes em cidades dos estados da Flórida até a Louisiana. Durante, ao menos, dez dias está proibida a pesca na região e com isso, as perdas devem chegar a 2,4 bilhões de dólares. Além disso, tendo como base as consequências do acidente de Exxon Valdez na Alasca, é possível o aumento da violência no local atingido. A empresa responsável pela plataforma, a BP, afirmou que irá pagar todos os custos da limpeza no Golfo do México.

© AP
Caranguejos prontos para o consumo em restaurente da Louisiana: perdas de 2,4 bilhões
"É chamado o medo do desconhecido", diz o distribuidor de frutos do mar de Nova Orleans, Ricky Power. Ele está certo que os preços irão subir e que a disponibilidade dos produtos cairá. "E não será um problema de curto prazo", afirma o proprietário e chef do restaurante Mahony's PO-Boy, da mesma cidade. A indústria pesqueira está preocupada sobre em quanto tempo a empresa conseguirá conter o vazamento e como o óleo afetará a produção de ostras, camarões, caranguejos e peixes. Além disso, os donos de restaurante não querem que os turistas pensem que os estabelecimentos fecharam ou que a comida comercializada apresenta risco para a saúde.

Em 1989, o derramamento de óleo do petroleiro Exxon Valdez causou estragos muito além dos ambientais. O alcoolismo, o suicídio e as taxas de violência doméstica aumentaram em todas as cidades mais atingidas. No entanto, no caso do derramamento atual, Smith Ewell, da Louisiana Seafood Promotion and Marketing Board, acredita que os problemas serão pontuais já que a área a oeste do rio Mississipi não deve ser afetada pelo derramamento de óleo. De acordo com Ewell, o oeste do rio Mississippi está liberado para pesca e representa mais de três quartos da produção de frutos do mar de Louisiana. O vazamento poderá continuar, ao menos, durante ainda mais uma semana.

Lembranças do Exxon Valdez

Algumas comunidades do litoral do Golfo do México tentam entender qual será o futuro da região depois do desastre olhando para o Alasca e avaliando as consequências do acidente com o navio da Exxon Valdez, ocorrido em 1989.

Mesmo depois de 21 anos, ainda é possível encontrar petróleo bruto derramado pelo petroleiro em algumas praias. Algumas espécies marinhas nunca se recuperaram do desastre. Taxas de alcoolismo, suicídio e violência doméstica aumentaram nas cidades mais atingidas.

Em 23 de março de 1989, o superpetroleiro deixou o porto de Valdez carregado com 53 milhões de galões de petróleo bruto rumo ao Polo Norte. O navio bateu em um recife horas depois, rompendo oito de seus 11 tanques de carga e jogando 10,8 milhões de galões de óleo no mar do Estreito de Prince William.

A Exxon informou que gastou US$ 2,1 bilhão com a limpeza do petróleo, mas ele ainda pode ser encontrado alguns centímetros abaixo da superfície e em praias isoladas. Estima-se que 20 mil litros de óleo permanecem desde o derrame.

(Com informações da AP)

Veja abaixo fotos do acidente no Alasca.:

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