Vazamento da BP causou mancha de óleo submarino de 35 km

Robô submarino confirmou a presença de uma grande quantidade de petróleo no Golfo do México a mais de 1 mil metros de profundidade

Alessandro Greco, especial para o iG |

Science/AAAS
Imagens tiradas pelo robô mostram a diferença de cor da água que indica a presença da mancha a partir de 1065 metros
No início do vazamento de petróleo no Golfo do México, em abril, cientistas desconfiaram que o óleo proveniente de um poço da plataforma da Deepwater Horizon estaria formando uma imensa mancha de óleo submarina. Agora, quase quatro meses depois do início de um dos maiores desastres ambientais da história, eles confirmaram: a mancha existe e é muito grande.

Pesquisadores do Instituto de Oceanografia Woods Hole, nos Estados Unidos, e da Universidade de Sydney, na Australia, publicaram nesta quinta, dia 19, na revista científica Science um estudo em que comprovam sua existência e relatam suas dimensões e profundidade. A mancha submarina (que no mar parece uma espécie de nuvem) tem cerca de 35 quilômetros de extensão, 200 metros de altura, 2 quilômetros de largura e está a 1,1 quilômetro de profundidade.

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A descoberta foi feita com o uso do robô autônomo submarino Sentry. Ele vasculhou a região do Golfo do México em busca da mancha no final de junho. Após encontrá-la, zigue-zagueou em seu interior coletando dados de sua composição e eventuais atividades biológicas. Os resultados novamente não foram animadores.

Hidrocarbonetos
Na avaliação dos pesquisadores a quantidade dos hidrocarbonetos chamados de BTEX (benzeno, tolueno e etilbenzeno) medidos no local equivale a 6 a 7% de todo o volume dos hidrocarbonetos que vazaram da Deepwater Horizon. O trabalho dos pesquisadores, no entanto, avaliou apenas a quantidade dos BTEX, que são uma pequena parte do total de hidrocarbonetos contidos no petróleo – o que impede uma análise científica das conseqüências da presença deles embaixo d’água.

“Não podemos falar muito sobre a atividade biológica ou toxicidade porque não temos uma análise completa dos hidrocarbonetos”, comentou Richard Camilli, um dos autores do artigo em conversa com a imprensa mundial. Mas ele acredita que mais informações irão aparecer assim que forem feitas as análises das centenas de amostras coletadas. “É importante ter em mente que não estamos em uma série de TV como CSI. Todos nós queremos dados em oito segundos, mas isso não acontece na vida real. O que temos agora são dados referentes a alguns pontos... Saberemos mais assim que tivermos mais dados analisados”, afirmou Chris Reedy, do Woods Hole, também durante o encontro com a imprensa.

Science/AAAS
O robô Sentry, que fez a medição do tamanho e da composição da mancha, perto do local do acidente da Deepwater Horizon

No fundo do mar
A medida dos BTEX trouxe ainda outra informação. Os níveis de oxigênio dissolvido dentro da mancha não indicam que bactérias estejam "quebrando" as moléculas do óleo, como se esperava. Ou seja, o petróleo ainda está inteiro no fundo do mar e não está se degradando. “Não vimos uma queda no nível de oxigênio dissolvido”, completou Reedy. No entanto, ainda não é possível prever quais as conseqüências para a vida marinha desta descoberta. “Com o tempo conseguiremos sentar com toxicólogos e ecologistas e quando tivermos todos os dados checaremos os danos”, explica Chris.

Em relação à movimentação da mancha os cientistas afirmaram não ter como fazer essa previsão. “No momento em que fizemos a medição, a mancha andava a uma velocidade de 6,5 quilômetros por dia. Isso sugere que os compostos que medimos naquele momento moveram-se, mas onde ela está agora eu não sei”, afirmou Reedy. Os pesquisadores também não sabem se há mais dessas manchas espalhadas pela região. “Posso falar apenas da evidência que temos e ela diz que achamos uma mancha.Não sabemos se há outras manchas em outras áreas ou se outras manchas se formaram em outros momentos”, disse Camilli.

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