Vazamento contamina cânion submarino no Golfo

A mancha de óleo submarina pode afetar a cadeia alimentar da região e chegar à Flórida

iG São Paulo |

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Imagem da Nasa, do dia 24, mostra o sol brilhando na mancha de petróleo do Golfo do México
Pesquisadores descobriram que uma mancha de petróleo de 35 quilômetros de comprimento e 10 quilômetros de largura está chegando perto de um cânion submarino, onde pode envenenar toda a cadeia alimentar oceânica na costa da Flórida.

A descoberta foi feita pela tripulação de um barco de pesquisa da University of South Florida (USF)é a segunda mancha submarina significativa encontrada desde o acidente com a plataforma Deepwater Horizon no dia 20 de abril.

A nuvem de petróleo estava se aproximando de um cânion submarino cujas correntes alimentam microorganismos da região do Golfo do México perto do Estado da Flórida, e poderia contaminá-los, e na sequencia envenenar os animais que se alimentam deles.

Laura McKinney, diretora de um centro de pesquisas do Golfo da Universidade Texas A&M, disse que poderia se esperar que o petróleo suba para perto da superfície para ser degradado com a ajuda da luz do sol. Mas se a mancha continuar intacta, ela pode cobrir a costa oeste da Flórida até as ilhas Keys como uma sopa tóxica.

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Imagem divulgada pela BP mostra a tentativa de selamento do poço
A mancha foi vista a 1000 metros de profundidade, afirmou David Hollander, professor de oceanografia química da USF. Ele também afirmou ter encontrado alto teor de hidrocarbonetos em outro ponto, a 400 metros de profundidade, em dois dias diferentes esta semana.

A primeira mancha encontrada saía do poço e seguia por sudoeste em direção ao mar aberto, mas esta nova mancha se encaminha para o continente, onde as águas são mais rasas e várias espécies de animais se reproduzem. A mancha é preocupante, segundo os pesquisadores, porque elas podem ser resultado do uso de dispersantes químicos para acabar com o petróleo vazando a 1500 metros de profundidade.

Hollander disse que o petróleo encontrado está dissolvido na água e não está mais visível, o que leva os oceanógrafos a temer que o teor tóxico dele e de seus dispersantes sejam perigosos para larvas de peixes e de criaturas que filtram a água do mar. “Isso pode durar um bom tempo, até essas substâncias chegarem a toda cadeia alimentar,” afirmou.

Selamento retomado
A BP reiniciou o selamento do poço esta manhã, após relatos de vazamento do fluido usado na operação.Os relatos iniciais foram de sucesso, mas o chamado “top kill” foi interrompido no fim da quinta-feira e retomado esta madrugada. A empresa diz que serão necessárias mais 24 horas para ter certeza do resultado da operação.

O presidente dos Estados Unidos Barack Obama visita hoje o Golfo do México hoje para avaliar os trabalhos de contenção do vazamento, que já está sendo chamado o “Katrina” de seu mandato.

(Com informações da AP)

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