Um dia em Lujan

A reportagem do iG esteve no zoológico onde é possível chegar perto de predadores como tigres e leões

Gabriela Borges e Kelly Cristina Spinelli, especial para o iG |




Caso não consiga ver o vídeo, clique para assistir na TV iG: Zoo na Argentina causa polêmica ao deixar visitantes entrarem na jaula dos leões

O calor é de 35 graus e a viagem de ônibus de linha entre a Plaza Itália, no coração de Palermo, em Buenos Aires, e o Zoo de Lujan leva 1 hora e meia. Logo na entrada, o lugar causa estranheza. A rodovia está separada de um grupo de emas, pavões e cervos apenas por uma grade de metal. Não há placa com o nome do zoológico ou bilheteria: são duas moças com jeito de adolescentes que cobram os 100 pesos de entrada de todo visitante estrangeiro.

Mais adiante há uma banca onde se pode comprar alimento para dar aos animais, mas não fica muito claro quais deles podem comer a ração. Em frente, uma insólita coleção de veículos de guerra, propriedade do dono do lugar, e há outra, a ser vista mais adiante, de automóveis antigos. Está tudo no mapinha, como se fosse natural que dromedários convivam com tanques de guerra.

O zoológico é pequeno. Faz um estilo fazendinha de bichos grandes, e não se leva mais que meia hora para percorrê-lo, sem parar, de ponta a ponta.

A primeira jaula à vista está ao lado da coleção de veículos militares, onde alguns jovens leões estão deitados. Do lado de dentro, uma senhora inglesa acaricia as costas de um dos felinos ao lado de um tratador bastante jovem e dois cachorros que entram e saem da jaula toda vez que o tratador dá espaço pro próximo visitante. Um baldinho pendurado ao lado da cela pede gorjetas para os tratadores, mas não é cobrado nada mais a parte para entrar na cela.

“Proibido o ingresso de menores de 16 anos”, diz uma placa na frente de uma segunda jaula, esta um pouco maior, sem cachorros, e compartilhada por alguns leões já adultos. Os tratadores dizem que as crianças não podem entrar nessas jaulas, não porque seja exatamente perigoso, mas porque leões e tigres adultos as confundem com brinquedos e podem machucá-las ao tentar pular nelas para brincar.

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Os leões adultos estão deitados, de olhos fechados, parecem estar dormindo. “Com certeza estão sedados”, comenta alguém na fila, ansioso para entrar na jaula e passar a mão nas costas dos reis da selva. Os tratadores fazem piada sobre o medo dos visitantes. “Ali estão os filhotes pra quem não quer entrar nessa jaula”. E eles podem morder? “A gente te convida a entrar e não a sair”, diz, rindo.

Perto dali, na cela dos tigres grandes, há gente passando a mão nas costas de um bicho dormindo. Outro está desperto e recebe leite diretamente das mãos de uma visitante. Nas quatro patas, bate na cintura da moça. O tratador explica que os felinos descansam durante o dia porque têm hábitos noturnos, e faz cara feia quando perguntam se eles estão dopados.

Uma moça, sem uniforme, entra na jaula dos filhotes com asas de frango cruas. Senta ao lado de uma mochila e um maço de cigarros. Pica a carne em meio a tratadores e visitantes, e alimenta os filhotes que chegam perto. “Quanta comida eles comem?”, pergunta um. “Bastante. Damos um tanto desses de vez em quando ao longo do dia”.

Na placa do lado de fora, que se repete em todas as jaulas, lê-se sobre as espécies ali contidas, mas soa uma formalidade. Não parece existir qualquer propósito pedagógico no contato com os bichos, nem os tratadores parecem preparados para dar muita informação.

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Perto dali, há crianças sentadas passeando em um dromedário e dois elefantes asiáticos. Os elefantes ficam detrás de uma grade frágil e são alimentados sistematicamente por maçãs dadas pelos visitantes. Com eles há um tratador adolescente e outro adulto, que trabalha há mais tempo no zoológico e explica os hábitos dos animais e outras características físicas.

Um alto-falante anuncia que vai começar um tour pela área dos cervos, ursos e macacos. Forma-se uma fila em frente ao ponto de partida. A guia explica que os cervos “não podem ser tocados” porque “podem reagir mal”. Segue explicando sobre a criação dos animais serem criados em cativeiros, que não tomam remédios, que este é um zoológico de contato como poucos no planeta. Uma ema caminha solta ao lado das crianças do grupo.

Os visitantes passam pelo que parece ser um fundo de uma casa, onde está a exposição de carros  antigos em meio a quatro ou cinco pequenas jaulas de macacos, uma centena do que parecem ser jabutis – ninguém se preocupa a explicar sobre eles – e um grande urso pardo, que acaba sair de uma piscina e está sentado ao lado de cachorros. Os tratadores não ficam dentro da “jaula” do urso, mas quem quiser, inclusive as crianças, pode alimentá-lo com uvas, a uma taxa de cinco pesos por pessoa. É o fim do passeio.

No fim do dia, os visitantes fazem a viagem de volta a Buenos Aires e os animais descansam para mais um dia de trabalho no dia seguinte.

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