Um ano depois, efeito do óleo na costa do Golfo ainda é incógnita

Turismo na região começa a se recuperar, mas real impacto ambiental do desastre da BP só será realmente conhecido no futuro

iG São Paulo |

AP
Pelicanos pousam em rocha junto a plataformas de extração de gás no Alabama
Parentes de vítimas sobrevoaram as águas do Golfo do México nesta quarta-feira (20), no aniversário do acidente em que 11 funcionários de uma plataforma de petróleo morreram, há um ano.

Veja as imagens:

Acidente no Golfo do México Completa 1 Ano

Acredita-se que o óleo acumulado esteja repousando no fundo do mar. Ele aparece como uma crosta gelatinosa e escura ao longo de quilômetros de mangue na Louisiana. Cientistas percebem que a terra, em muitos pontos, começa a sofrer erosão. Especialistas dizem que, embora o vazamento não tenha causado uma tragédia ambiental isntantânea, os efeitos reais do óleo ainda podem demorar a aparecer.

Moradores da região afetada uniram-se numa prece silenciosa e o presidente Barack Obama prometeu que a BP e outros responsáveis pelo desastre serão cobrados “pelas dolorosas perdas que causaram”.

Lembranças sombrias marcaram o aniversário do desastre que provocou o pior vazamento de petróleo da história dos Estados Unidos. Mas nem tudo é tristeza. Praias, hotéis e restaurantes começam a lotar novamente, e especialistas dizem que o Golfo está se recuperando.

O desastre teve início na noite de 20 de abril de 2010, quando a plataforma Deepwater Horizon explodiu em chamas, matando 11 pessoas. Os demais funcionários da instalação escaparam mas, dois dias depois, a plataforma afundou no mar. Os corpos dos mortos nunca foram recuperados.

Ao longo dos 86 dias seguintes, 780 milhões de litros de petróleo – 19 vezes mais que despejado pelo acidente do petroleiro Exxon Valdez de 1989, até então o pior desastre do tipo nos EUA – derramaram-se no mar, transbordando do poço aberto no leito oceânico.

Em nota, Obama prestou tributo aos mortos na explosão e agradeceu às milhares de pessoas que “trabalharam incansavelmente para mitigar os piores impactos” do derramamento.

Numa cerimônia solene à luz de velas diante da catedral de Nova Orleans, ambientalistas e líderes religiosos se uniram para relembrar os trabalhadores mortos e exortar a nação a evitar novos desastres.

Minuto de silêncio
Em todo o mundo, funcionários da BP observaram um minuto de silêncio. O principal executivo da empresa, que operava a plataforma, Bob Dudley, publicou uma mensagem no website da companhia que dizia: “Estamos comprometidos em cumprir nossas obrigações para com os afetados por essa tragédia”.

Muitas questões sobre o impacto ambiental e social do vazamento continuam em aberto: a indústria pesqueira vai se recuperar? O ambiente voltará a ser o que era? A população vai se revoltar contra a exploração de petróleo no mar?

“Parece que já passou”, disse o historiador Tyler Priest, da Universidade de Houston. “As pessoas estão pensando em outras coisas. Mas vai acabar como Exxon Valdez. Haverá 20 anos de ações na Justiça”.

A maioria dos cientistas concorda que os efeitos “não foram tão graves quando muitos previram”, disse o pesquisador da Universidade Estadual da Louisiana, Christopher D'Elia. “Tinah gente dizendo que seria um apocalipse ecológico, mas não foi isso que aconteceu”.

Biólogos preocupam-se com os efeitos de longo prazo do vazamento na vida marinha. “Há os efeitos em cascata”, disse D’Elia. “Pode ser a acumulação de toxinas na cadeia alimentar, ou mudanças na cadeia. Algumas espécies podem se tornar dominantes”.

(Com informações da AP)

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