Trens são abandonados em região de mananciais em SP

Vagões sucateados podem contaminar área de proteção ambiental na zona sul da cidade

AE |

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Pelo menos 32 vagões de trens sucateados da concessionária América Latina Logística (ALL) estão abandonados ao lado da Ferrovia Mairinque-Santos e da antiga Estação Evangelista de Souza, em Engenheiro Marsilac, zona sul de São Paulo. A região é de mananciais e pertence à área de Proteção Ambiental Municipal (APA) Capivari-Monos.

O cenário é de abandono e descaso. Os vagões totalmente deteriorados estão em um recuo da mata, na frente do prédio da antiga estação, e alguns ao longo da via. Pelas condições das composições e por relatos de funcionários, o cemitério de trens existe, em plena área verde, há pelo menos 1 ano. Há muita ferrugem nas composições e a vegetação já cobre o aço de muitos vagões.

De acordo com a empresa, esses vagões sofreram avarias e foram concentrados no local por ser considerado "estratégico" para a operação - há acesso por estrada, ao contrário da estação seguinte, no sentido Santos. A ALL, entretanto, não tem licença ambiental para usar o espaço como pátio de sucata.

Quando a reportagem do jornal O Estado de S. Paulo esteve no local, funcionários da ALL procuravam no entulho peças que pudessem ser reaproveitadas. Além dos trens retorcidos, há dezenas de eixos de rodas, parafusos, pedaços de trilhos e outros componentes de aço amontoados no chão. Havia ainda tambores com óleo escorrendo para o solo e sacos de lixo e de alimentos.

A estação fica cerca de 3 km depois do centro de Marsilac, o último bairro a sul da capital paulista. A reportagem percorreu um trecho da linha, que chega a Santos e faz parte do corredor ferroviário de exportação, ainda em atividade. Apesar de cruzar área de proteção ambiental, dormentes de concreto e pedaços de aço que se soltaram dos trens estão jogados na beira da mata. Em um braço do Rio Capivari, atravessado por uma ponte, trilhos enferrujados foram jogados no curso da água.

A bióloga Claudia Mascagni Prudente, da ONG Capivari-Monos, condena o uso que a empresa faz da área sem licença ambiental adequada. "O trecho está na área de manancial, onde há produção de água. Há possibilidade de contaminação do solo, por causa de vazamento de materiais lubrificantes ou algum tipo de óleo", diz ela. "Ainda existe o aspecto de saúde pública, por acumular resíduos."

A estação fica no limite do Parque Estadual da Serra do Mar. A área tem espécies vegetais endêmicas e ameaçadas de extinção. Ainda abriga animais silvestres.

Outro lado
Em nota, a ALL afirmou que os vagões serão removidos "nas próximas semanas", mas não deu uma data com precisão. A empresa afirmou que aguardava autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para retirá-los - o que só teria ocorrido na última semana. Sobre os trilhos e dormentes que estão na área, a empresa alega que a via passa por manutenção e o material é removido continuadamente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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