Tigres: áreas de reprodução precisam ser protegidas

Estudo identifica 42 locais cuja proteção é essencial para se evitar a extinção do grande felino

iG São Paulo |

AP
Estudo diz que tigres em idade reprodutiva devem ser protegidos, como esta fêmea resgatada com seus filhotes na Colômbia
Um estudo divulgado nesta terça (14) mostra que para salvar o tigre selvagem da extinção, é preciso garantir a proteção de alguns poucos locais-chave, onde ele se reproduz, em vez de monitorar grandes áreas.

Só existem 3500 tigres em ambiente selvagem em todo mundo, e menos de um terço deles são fêmeas em idade reprodutiva, diz John Robinson, da Wildlife Conservation Society, um dos autores da pesquisa publicada no periódico PLoS Biology.

Nas últimas duas décadas, inúmeros esforços tentaram salvar o maior felino do planeta, ameaçado pela caça excessiva, perda de habitat e comércio de animais selvagens, mas seus números continuam a diminuir. Isso acontece porque as iniciativas de conservação são muito diferentes entre si e muitas vezes cuidam de habitats fora de áreas protegidas.

Em vez disso, ambientalistas deveriam se concentrar nas áreas onde as tigres vivem – a maior parte fica em apenas 6% do habitat disponível – e especialmente onde eles se reproduzem. “A prioridade imediata deveria ser assegurar a proteção e monitoramento das populações de animais em idade reprodutiva,” diz o estudo, que alerta, que se isso não acontecer, “todos os outros esforços vão fracassar”.

Segundo o WWF e outras entidades, a população mundial de tigres caiu de 5.000 em 1998 para 3.200 atualmente, apesar do gasto de dezenas de milhões de dólares em sua conservação. Um dos maiores culpados é o mercado asiático para órgãos de tigre, que a medicina oriental considera bálsamos para saúde e virilidade.

O novo estudo – que também teve a contribuição do Banco Mundial, Universidade de Cambridge e o grupo conservacionista Panthera – identificou 42 locais-chave que têm o potencial de aumentar as populações atuais dos animais. Dezoito deles estão na Índia, oito na Indonésia, seis no leste da Rússia e os outros espalhados pela Ásia. O plano custaria 82 milhões de dólares por ano, a maior parte do valor bancado pelos governos e comunidade internacional.

Um programa semelhante na Índia já rendeu bons resultados. Mas os autores avisam que, a longo prazo, é importante que os tigres tenham espaço suficiente para migrar para outras regiões sem serem ameaçados. Barney Long, especialista do WWF que não esteve envolvido na pesquisa, afirma que os conservacionistas devem tomar cuidado para não criarem “zoológicos na floresta”.

(Com informações da AP)

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