TEDx Amazônia mostra desafios atuais e suas possíveis soluções

Palestrantes falaram de como criar e viver em um mundo melhor na parte da manhã da conferencia que começou sábado no Amazonas

Alessandro Greco, especial para o iG |

O primeiro dia do TEDx Amazônia que começou este sábado no hotel Amazon Jungle no meio da selva amazônica abordou alguns desafios do dia a dia. Para inspirar os mais de 400 participantes reunidos no auditório flutuante do hotel o músico Antônio Nóbrega abriu o dia colocando a questão: qual o lugar da dança no mundo altamente competitivo em que vivemos hoje? Não houve uma resposta objetiva, mas Nóbrega engajou o auditório e colocou todos literalmente para dançar com ele.

Acompanhe a transmissão das palestras de hoje do TEDx Amazônia

Inspiradora também foi a palestra da bióloga Deise Nishimura que tinha um sonho e conseguiu realizá-lo: estudar os botos na Amazônia. Ela apenas não sabia que irá realizar um muito maior ainda quase um ano depois, que seria voltar à Amazônia após ter a perna devorada por um jacaré e lutar com ele pela vida. “Debaixo d’água, com ele me chacoalhando, pensei qual era a parte mais sensível dele. Fui tateando e apertei dois buracos. Não sei se eram os olhos ou o nariz, mas fiz tanta força que quebrei a unha”, contou ela que atualmente usa uma prótese e está reaprendendo a andar. Na segunda-feira, Deise volta à mesma casa em que morava quando foi atacada. “Tenho de mostrar a mim mesma que posso fazer tudo que fazia antes”, afirmou ela ao iG . E o futuro? “Não sei ainda. Vou passar um mês lá e depois volto a São Paulo”, completou.

Superar os desafios interiores para viver em um mundo melhor foi a bela fala do Lama Padma Samten, nascido Alfredo Alveline que trabalhou anos como físico antes de se tornar líder budista. “Precisamos superar a ingenuidade de achar que tudo que existe é o que vemos”, afirmou ele. Uma falta de habilidade de enxergar que o mundo é muito mais do aquilo que a nossa cultura sabe como mostrou o climatologista Antonio Nobre. “Certa vez conversei com um líder indígena e ele disse que o homem branco não sabe que se ele desmatar a floresta vai acabar com a chuva. E se acabar com a chuva ele não vai ter o que beber. Encontrei com ele em outra ocasião e perguntei: como você sabe isso? A resposta: o espírito da floresta nos contou”. Para ele a Amazônia – e os povos que ali vivem – nos dão uma lição de como a natureza funciona.

A falta de noção humana, como afirmou o ativista americano Chris Carlsson, nos leva a fazer em escala global “coisas estúpidas demais”. E foi ainda mais direto e reto: “vamos dizer a verdade. A um longo caminho a ser percorrido e não estamos percorrendo-o”. Aplausos e mais aplausos na platéia.

“Isso aqui tá bonito, né. Do que eu vou falar na palestra? Você tá apressado... Assiste lá.”. A afirmação do músico André Abujamra não poderia ser mais precisa: “assiste lá”. É difícil descrever a sensação da performance dele que misturou musica e imagens em um telão. No intervalo, afirmou: “eu disse que não dava para explicar...”. É, não dava mesmo.

Intervenções como a de Abujamra deixaram a longa jornada, que terminou às 21:50, mais leve, após mais de 30 palestrantes que falaram cerca de 10 minutos, muitas vezes de realidades duras de formas aparentemente opostas. Foi o caso da parteira Suely Carvalho que colocou na mesa um fato muito mais esquecido: “O parto, seja do jeito como for, deve ser visto do ponto de vista do ser que está chegando. A maneira como isso acontece vai influenciar o resto da vida dele”.

Logo em seguida, falou a documentarista americana Diana Witten que está fazendo um filme sobre o direito à escolha de se fazer ou não um aborto e a organização não governamental Woman on Waves  que fez durante um tempo abortos dentro de um barco em águas internacionais – assim não estava sujeito às leis específicas de países sobre o tema. De que lado ficar? Da parteira? Da liberalização da aborto? A resposta é que não há uma resposta. Há uma reflexão.

No final do ciclo da manhã, que terminou às 4 da tarde, duas palestras mais leves mostraram que há um caminho para a humanidade criar um vida melhor e ele nada tem de sisudo. É, na verdade, baseado na diversão.

A primeira delas, do jornalista Rafael Kenski, falou de jogos de realidade alternativa, mais especificamente do jogo Arkhos, uma empresa fictícia que propunha privatizar a Amazônia. No game as pessoas lutavam contra a empresa. “As pessoas trabalharam duro e bem para resolver um problema que não existia. E por que fizeram isso: diversão”, contou ele que acabou de terminar um mestrado na London School of Economics sobre o tema.

Já Edgard Gouveia Jr, do Instituto Elos, criou um jogo que tinha como base o tripé: rápidez, diversão e trabalho voluntário, o Oasis. Ele, por exemplo, foi usado durante as enchentes que deixaram debaixo d’água diversas cidade de Santa Catarina em 2008. Com o jogo, Edgard conseguiu mobilizar pessoas do Brasil inteiro para ajudar as pessoas afetadas pelas enchentes a realizar seus sonhos. O resultado foram, entre outras coisas, 11 praças construídas por voluntários em 6 cidades. “A escala dos desafios de hoje precisa de todos. Não há mais tempo apenas para heróis ou chefes”, afirmou ele. O Oásis se tornou uma metodologia e desde que foi disponibilizada gratuitamente já houve mais de 90 Oasis em todo o mundo. “Agora estamos criando um game global que será lançado em outubro de 2011”, afirmou Gouveia ao iG . Sobre o que será? “Você verá”.

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